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Economia

IPCA em agosto cai 0,32% e tem maior deflação desde 2022, puxada por queda na conta de luz

Resultado acumulado em 12 meses foi de 4,22% até agosto, ante taxa de 4,44% até julho; energia elétrica residencial recuou 7,63% no mês, em decorrência da incorporação do bônus de Itaipu

Publicado em 11 de Setembro de 2026 às 11:34

Estadão Conteúdo

Publicado em 

11 set 2026 às 11:34

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou agosto com queda de 0,32%, ante um avanço de 0,07% em julho, informou nesta sexta-feira, 11, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa acumulada pela inflação no ano ficou em 3,11%. O resultado acumulado em 12 meses foi de 4,22% até agosto, ante taxa de 4,44% até julho.

O resultado do IPCA em agosto veio abaixo da mediana das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, de deflação de 0,29%. As estimativas, todas negativas, iam de -0,37% a -0,20%. Da mesma forma, o resultado acumulado em 12 meses, de alta de 4,22% até agosto, veio abaixo da mediana das projeções, que era de avanço de 4,26%. As expectativas, todas positivas, iam de 4,17% a 4,34%.

A deflação de agosto de 2026 foi a mais intensa desde agosto de 2022 (-0,36%), de acordo com o IBGE. “A taxa é a menor desde agosto de 2022, tanto para o mês quanto historicamente”, afirmou o técnico do IBGE José Fernando Gonçalves.

Alimentação e energia

Ele afirmou que, em agosto, é comum haver queda de preços influenciada por alimentação, que frequentemente registra variações negativas neste período do ano. Desta vez, no entanto, o resultado foi determinado sobretudo pela energia elétrica, devido ao bônus de Itaipu.


O bônus é uma espécie de crédito que considera a conta de comercialização de energia da usina hidrelétrica. Os descontos foram aplicados nas faturas emitidas entre 1º e 31 de agosto.

Gonçalves ressaltou que a energia elétrica, sozinha, respondeu por um impacto de -0,33 ponto porcentual no IPCA. O peso, segundo ele, chegou a ser maior do que a própria variação do índice cheio, enquanto os demais itens, em geral, compensaram com altas.


A energia elétrica residencial recuou 7,63% no mês. Em agosto, permanecia em vigor a bandeira tarifária amarela, que adiciona R$ 1,885 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos.


Sem a energia elétrica, o IPCA teria ficado praticamente estável, com avanço de 0,01% na comparação mensal, conforme o técnico. Ao desconsiderar também Alimentação, grupo que teve queda de 0,34%, o índice passaria a uma alta de 0,11% no mês.

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Habitação (-1,87%), transportes (-0,86%), alimentação e bebidas (-0,34%) e comunicação (-0,09%) tiveram deflação. As altas oscilaram entre 0,12% de vestuário e 1,30% de despesas pessoais.


O grupo de despesas pessoais foi o de maior variação (1,30%) e impacto (0,13 p.p.), impulsionado pela alta no preço do cigarro (19,59%), que apresentou o maior impacto positivo no resultado do mês (0,11 p.p.).


Os preços de alimentação e bebidas caíram 0,34% em agosto, após queda de 0,67% em julho. O grupo deu uma contribuição negativa de 0,07 ponto porcentual para o IPCA, que caiu 0,32% no mês.

Entre os componentes do grupo, a alimentação no domicílio teve queda de 0,61% em agosto, após ter recuado 1,14% no mês anterior. A alimentação fora do domicílio subiu 0,36%, ante alta de 0,55% em julho.


O Estadão/Broadcast calcula o impacto de cada grupo no IPCA com base na variação mensal e no peso mensal disponíveis no Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra). O resultado pode ter divergências pontuais com o impacto divulgado pelo IBGE, que considera mais casas decimais do que as disponibilizadas publicamente na taxa de cada item.


Os preços de transportes caíram 0,86% em agosto, após alta de 0,05% em julho. O grupo deu uma contribuição negativa de 0,17 ponto porcentual para o IPCA, que caiu 0,32% no mês.

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