Publicado em 31 de janeiro de 2024 às 17:10
RIO DE JANEIRO - A taxa de desemprego do Brasil recuou a 7,8% na média anual de 2023, apontam dados divulgados nesta quarta-feira (31) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado indica uma queda de 1,8 ponto percentual ante 2022 (9,6%).>
A taxa de 7,8% é a menor desde 2014 (7%). À época, o indicador atingiu a mínima da série histórica iniciada em 2012. O desemprego aumentou após 2014 com a crise econômica de 2015 e 2016 e a pandemia iniciada em 2020.>
Considerando somente o quarto trimestre de 2023, que traz um panorama mais momentâneo do mercado de trabalho, a taxa de desocupação recuou a 7,4% no país.>
Trata-se do menor patamar para esse intervalo do ano desde 2014 (6,6%). O novo resultado veio após a taxa de desemprego marcar 7,7% no período de julho a setembro do ano passado.>
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O dado do quarto trimestre (7,4%) ficou ligeiramente abaixo da mediana das expectativas do mercado financeiro. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam taxa de 7,6% para o período.>
Os números do IBGE integram a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). O levantamento analisa tanto atividades formais quanto informais — dos empregos com carteira assinada e CNPJ até os populares bicos.>
Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas por amostra de domicílios do IBGE, associou os resultados à continuidade da retomada do mercado de trabalho após os estragos da pandemia.>
Nessa linha, a pesquisadora destacou que o fim das restrições sanitárias estimulou setores como serviços a partir de 2022, um movimento que permaneceu em 2023. "Tudo isso criou um ambiente propício para que aumentasse a demanda por trabalhadores", disse.>
No quarto trimestre de 2023, o número de desempregados foi estimado em 8,1 milhões. Houve recuo de 2,8% em relação ao trimestre anterior (menos 234 mil pessoas) e baixa de 5,7% na comparação com igual período de 2022 (menos 490 mil).>
A população considerada desempregada reúne pessoas de 14 anos ou mais que estão sem ocupação e que seguem à procura de oportunidades. Quem não está buscando vagas, mesmo sem ter emprego, não faz parte desse contingente nas estatísticas oficiais.>
Já a população ocupada com algum tipo de trabalho subiu a quase 101 milhões no quarto trimestre de 2023, apontou o IBGE. Com isso, o indicador renovou mais uma vez o recorde da série iniciada em 2012.>
A população ocupada aumentou 1,1% frente ao trimestre anterior (mais 1,1 milhão) e 1,6% na comparação com um ano antes (mais 1,6 milhão).>
"A queda da taxa de desocupação ocorreu fundamentalmente por uma expansão significativa da população ocupada", afirmou Beringuy.>
Embora o número de trabalhadores ocupados tenha alcançado a máxima em termos absolutos, o chamado nível de ocupação ainda não renovou o recorde da série. O indicador foi estimado em 57,6% no quarto trimestre de 2023.>
O nível de ocupação corresponde ao percentual de pessoas trabalhando em relação à população de 14 anos ou mais. Considerando somente o intervalo de outubro a dezembro, esse percentual já foi de 58,5% em 2013.>
O ano de 2023, que marcou o início do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), teve desempenho acima do esperado da atividade econômica, principalmente no primeiro semestre, quando houve impulso da safra agrícola.>
Na visão de analistas, o comportamento positivo do PIB (Produto Interno Bruto) acabou respingando no emprego.>
Além da ocupação em alta em 2023, outro fator que contribuiu para frear a taxa de desemprego foi a saída de parte das pessoas do mercado na comparação com o pré-pandemia, diz o economista Bruno Imaizumi, da LCA Consultores.>
Um indicador que ilustra isso é a taxa de participação. O indicador mede o percentual de pessoas em idade de trabalhar (14 anos ou mais) que estão inseridas na força de trabalho como ocupadas ou à procura de oportunidades (desempregadas).>
No quarto trimestre de 2023, a taxa de participação até subiu a 62,2%, acima dos 61,8% dos três meses imediatamente anteriores. O indicador, contudo, permaneceu abaixo do nível do quarto trimestre de 2019 (63,6%), antes da pandemia.>
Conforme Imaizumi, a participação menor reflete a mudança da composição demográfica da população brasileira, com a saída de idosos do mercado, além de fatores como cadastros irregulares no Bolsa Família (antes Auxílio Brasil).>
"As taxas de desemprego estão mais baixas do que as médias históricas por conta da saída de pessoas do mercado de trabalho", avalia o economista.>
Segundo ele, se a participação estivesse em um nível mais próximo do pré-pandemia, a taxa de desocupação com ajuste sazonal estaria mais próxima de 10% do que de 8%.>
O IBGE afirmou que o número de empregados com carteira de trabalho no setor privado (excluindo domésticos) subiu a 37,973 milhões no quarto trimestre de 2023. Assim, o contingente alcançou o recorde da série iniciada em 2012.>
A alta foi de 1,6% em relação ao trimestre imediatamente anterior (mais 612 mil) e de 3% na comparação com igual período de 2022 (mais 1,1 milhão). Até então, o recorde da carteira assinada havia sido registrado no intervalo até junho de 2014 (37,765 milhões).>
O número de empregados sem carteira no setor privado, por sua vez, foi de 13,5 milhões no quarto trimestre de 2023, após 13,3 milhões nos três meses imediatamente anteriores. Com o novo resultado, esse contingente também renovou o recorde da série.>
O número total de informais, que inclui categorias como trabalhadores por conta própria sem CNPJ, foi estimado em 39,5 milhões no quarto trimestre do ano passado. Trata-se de uma nova máxima da série os registros desse indicador começaram no fim de 2015.>
A taxa de informalidade, que mede o percentual de informais em relação ao total de ocupados, ficou em 39,1% no quarto trimestre de 2023.>
Essa participação já foi maior ao longo da série. No trimestre até setembro de 2019, antes da pandemia, os informais representavam 40,9% do total de ocupados.>
O IBGE ainda apontou que o rendimento real habitual dos trabalhadores ocupados ficou em R$ 3.032, em média, no quarto trimestre de 2023.>
Pelos critérios do instituto, o resultado indica relativa estabilidade na comparação com o período imediatamente anterior (R$ 3.007). Porém, em relação a igual trimestre de 2022 (R$ 2.940), a renda do trabalho cresceu 3,1%.>
De outubro a novembro, a massa de rendimentos, conhecida como a soma dos salários, atingiu novo recorde de R$ 301,6 bilhões. Cresceu 2,1% frente ao trimestre anterior e 5% na comparação com um ano antes.>
"O rendimento deu sustentação para o consumo. Em 2023, a gente teve valorização do salário mínimo", diz Imaizumi.>
Na média do ano, o rendimento real habitual foi estimado em R$ 2.979 em 2023. Isso significa um aumento de 7,2% na comparação com 2022 (ou R$ 199 a mais).>
A trégua da inflação e a criação de empregos formais, que costumam pagar mais, ajudam a explicar o resultado.>
Em termos proporcionais, o avanço de 7,2% é o maior da série iniciada em 2012. O valor absoluto do ano passado (R$ 2.979) ficou próximo dos maiores patamares já registrados, em 2020 (R$ 3.028) e em 2014 (R$ 2.989).>
Também na comparação anual, a massa de rendimentos chegou a R$ 295,6 bilhões. É o maior nível da série. Houve alta de 11,7% em relação a 2022.>
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