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Covid-19

Com fábricas paradas por coronavírus, produção de veículos cai 21,1% em março

Entre fevereiro e março, a queda é de 7%; no acumulado do ano, a retração chega a 16%

Publicado em 06 de Abril de 2020 às 12:26

Redação de A Gazeta

Publicado em 

06 abr 2020 às 12:26
Entender os avisos luminosos é dialogar com o carro
Produção de veículos cai Crédito: divulgação
A produção de veículos leves e pesados no último mês caiu 21,1% em relação a março de 2019. Os dados foram divulgados nesta segunda (6) pela Anfavea, entidade que representa as montadoras instaladas no Brasil.
Fábricas distribuídas por 10 estados e 40 cidades estão paradas há duas semanas devido à pandemia do novo coronavírus e, embora estejam preparadas para reativar as linhas de montagem, não há previsão de que isso ocorra em abril.
"Já havia mencionado o risco de interromper a produção por falta de componentes vindos da China e problemas de logística, mas a parada ocorreu devido ao agravamento da crise, para proteger os trabalhadores e não sobrecarregar o sistema de saúde pública", disse Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea.
Algumas montadoras já anunciaram a prorrogação das férias coletivas forçadas. A Mercedes prevê o retorno para o dia 4 de maio, a depender da situação do país. A Volkswagen também confirmou que não haverá produção no mês de abril.
Os emplacamentos caíram 21,8% na comparação entre os meses de março de 2019 e de 2020.
Embora algumas empresas desenvolvam canais online de vendas para manter as atividades, espera-se queda superior a 80% nas vendas em abril, seguindo o que ocorreu em países que estão há mais tempo em quarentena.
De acordo com Moraes, há 266,6 mil veículos em estoque. Seria o suficiente para 48 dias de vendas, mas a Anfavea calcula que esse volume vai atender a demanda dos meses de abril e maio.
O número de empregos diretos nas montadoras caiu 0,2% entre fevereiro e março. Hoje, há 125,7 mil funcionários nas fábricas.
Em março, a Caoa Chery desligou cerca de 50 trabalhadores da planta de Jacareí (interior de São Paulo). Em nota, a montadora disse que a situação econômica do Brasil neste início de ano, agravada pela recente disparada do dólar, gerou uma grande e inesperada queda nas vendas do setor. "Esta medida tem por objetivo reequilibrar a operação da empresa no país e resistir ao cenário econômico atual e previsto para os próximos meses."
A Anfavea não vai rever as projeções por enquanto, devido à profundidade da crise. Em janeiro, a entidade havia projetado para 2020 um crescimento de 9,4% nas vendas e de 7,3% na produção de veículos leves e pesados.
"Temos a noção de que o segundo trimestre será muito ruim para a economia como um todo, esperamos que no terceiro já comecemos a ver a retomada, que se consolidaria no quarto trimestre", afirma Moraes.
O presidente da Anfavea diz ainda que a primeira quinzena de março foi boa, com a economia rodando no ritmo normal. "O emplacamento estava em torno de 10 mil unidades por dia, já a segunda quinzena teve um forte impacto da questão coronavírus."
Na última semana de março, foram licenciados apenas 1.400 automóveis no país.
A Anfavea e a Fenabrave (entidade que representa os distribuidores de veículos) fazem articulações políticas para viabilizar o funcionamento parcial das concessionárias, o que já ocorre em diversas cidades.
Moraes afirma que solicitou a todos os governadores, além de deputados e senadores, a manutenção das atividades nos setores de peças e de serviços, por considerar que são atividades essenciais. "Temos uma frota circulante, caminhões transportando medicamentos e alimentos."
As exportações caíram 21,1% na comparação com março de 2019. No acumulado do ano, a retração é de 14,9%. Antes do impacto da crise, a Anfavea previa queda de 11%.
A entidade que representa as montadoras esperava que o PIB crescesse 2,5% em 2020. Porém, faz agora uma compilação de projeções baseadas no impacto causado pelo novo coronavírus. Os dados apresentados indicam queda de 2,3%.

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