Publicado em 24 de fevereiro de 2021 às 21:19
- Atualizado há 5 anos
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sancionou com vetos, na noite desta quarta-feira (24), a lei que confere autonomia ao Banco Central. O texto estabelece mandatos fixos para o presidente e diretores da autoridade monetária. >
Durante a sanção, em cerimônia no Palácio do Planalto, Bolsonaro afirmou que o projeto não é uma resposta ao "caso Petrobras" e negou interferência na gestão da estatal - embora a autonomia do BC tenha sido aprovada pela Câmara dos Deputados em 10 de fevereiro, antes do anúncio da troca do comando da companhia.>
"Minha querida imprensa, isso não é uma resposta ao caso Petrobras. Até porque isso já vinha sendo trabalhado há muito, bem como o projeto sobre Correios, bem como o MP sobre o sistema elétrico", disse Bolsonaro.>
Na semana passada Bolsonaro anunciou que o governo havia decidido indicar o general Joaquim Silva e Luna para a presidência da Petrobras no lugar de Roberto Castello Branco, cujo mandado se encerra em março. A troca se deu após uma série de reajustes nos combustíveis e foi interpretada pelo mercado como uma intervenção na política de preços da companhia.>
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"Eu não interferi, minha querida imprensa. O prazo de validade do senhor Castello Branco, que fez uma boa gestão na Petrobras, termina agora dia 20 [de março]. Simplesmente resolvi substituí-lo. Logicamente porque é uma pessoa que está bastante cansada, tem uma certa idade, e com toda certeza poderá até ajudar remotamente na transição do novo presidente da Petrobras", afirmou.>
A lei da autonomia foi sancionada em cerimônia com a presença do presidente do BC, Roberto Campos Neto. Na ocasião também tomaram posse os ministros da Cidadania, João Roma, e da secretaria-geral da presidência da República, Onyx Lorenzoni.>
A autonomia do BC inclui entre as obrigações secundárias da autoridade monetária fomentar o emprego e suavizar oscilações na atividade econômica. O controle da inflação, no entanto, continua sendo o objetivo principal.>
"É importante destacar também que a estabilidade de preços continuará sendo o objetivo fundamental do BC", disse Campos Neto. "Sem prejuízo desse objetivo principal, também iremos zelar pela estabilidade e pela eficiência do sistema financeiro, suavizar as flutuações do nível de atividade econômica e fomentar o pleno emprego", completou.>
"A evidência empírica mostra que países que tem BC mais autônomo têm inflação mais baixa. Ressalto que a inflação foi o imposto mais perverso da história brasileira. As pessoas de renda mais baixa não têm como se defender, enquanto o sistema financeiro criou variados mecanismos para proteger os rendimentos de pessoas com renda mais alta", frisou Campos Neto.>
Pela nova regra, os mandato da instituição têm duração de quatro anos, com possibilidade de uma recondução. O presidente do BC toma posse no terceiro ano do mandato do presidente da República, e os diretores ingressam de forma escalonada.>
Não há mandato atualmente; os dirigentes podem ser demitidos por iniciativa do presidente da República.>
Com a mudança, as demissões poderão ocorrer por solicitação dos próprios dirigentes, por enfermidades, em casos de condenações transitadas em julgado ou proferida por órgão colegiado ou por comprovado e recorrente desempenho insuficiente. No caso de baixo desempenho, a dispensa precisará de aval do Senado.>
O argumento é que esse procedimento tem como objetivo blindar o BC de interferência políticas. A diretoria colegiada do Banco Central é formada por nove integrantes, incluindo o presidente do órgão.>
"Dessa forma, o ciclo da política monetária, que é de longo prazo, fica separado do ciclo político, de curto prazo", destacou Campos Netto.>
Ficou estabelecido que haverá um prazo de 90 dias após a vigência da lei para a nomeação dos próximos presidente e diretores.>
A lei dá autonomia operacional, mas não orçamentária e administrativa.>
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