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Corrida

Superação: como a corrida ajudou corredor do ES a vencer a obesidade e chegar a 100 maratonas

Edson Borges conclui a Maratona de Roma, na Itália, e alcançou a marca de 100 maratonas concluídas ao longo da vida

Publicado em 09 de Maio de 2026 às 14:00

Públicado em 

09 mai 2026 às 14:00
Vitor Gregório

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Vitor Gregório

Edson Borges, de 48 anos, completou 100 maratonas
Edson Borges, de 48 anos, completou 100 maratonas Divulgação/Edson Borges

“Eu acho que ter completado 100 maratonas, para mim, foi um marco especial por ter mostrado para pessoas que é possível, que uma pessoa comum pode fazer algo especial, sabe?”. Esse é um relato emocionado do corredor capixaba Edson Borges, de 48 anos, que completou 100 maratonas no dia 22 de março, em Roma, na Itália.


Para alcançar tal feito, Edson, conhecido como “Edinho”, precisou superar diversas barreiras ao longo da vida. Em 2013, o capixaba resolveu passar por uma transformação. À época, com 118 kg, enfrentava dificuldades e, com isso, deu início a um processo de perda de peso. Edinho começou a fazer atividade física na praia — funcional e caminhada. E ao ver pessoas correndo pela orla, sentiu-se ainda mais motivado a perder peso para, um dia, acompanhar aquelas pessoas.

Isso tudo foi acontecendo na história de transformação. Passei da caminhada. Fui transformando a minha vida, mudando hábitos. É disciplina e constância

Edson Borges Ultramaratonista

Treze anos mais tarde, o ultramaratonista cruza a linha de chegada de sua 100ª maratona. O palco dessa conquista foi Roma, na Itália, local em que Edinho correu a Maratona de Roma. Por lá, teve a oportunidade de passar por regiões icônicas. “É um museu a céu aberto. Você passa em frente ao Vaticano, você larga em frente ao Coliseu, passa por museus, igrejas, são 42 km de bons motivos para a pessoa treinar e vir fazer uma maratona em Roma.”


Para que a meta fosse atingida, o ultramaratonista iniciou um projeto em maio de 2025, quando tinha no currículo 86 maratonas concluídas. De lá para cá, ele completou 14 maratonas. “Eu passei por Brasil, Argentina, Estados Unidos e Itália. Roma para completar a centésima. Foi um acerto gigantesco. Tô extremamente encantado.”


Durante o percurso, o capixaba teve a oportunidade de correr com pessoas fazendo a primeira maratona, e algumas delas diziam que, por se tratar de um corredor experiente, seria fácil. Mas Edinho pensa diferente. “Correr uma maratona nunca vai ser fácil. Então, eu faço da minha maratona um momento de diversão, de alegria.”

Edson Borges, de 48 anos, completou 100 maratonas
Edson Borges, de 48 anos, completou 100 maratonas Edson Borges

Os mais de 4.200 quilômetros rodados durante as 100 maratonas completadas por Edinho vão virar livro. Os conteúdos já estão sendo registrados, e a expectativa é de que o lançamento do livro aconteça na segunda quinzena de maio. O livro “Correndo por uma causa” traz histórias das transformações vividas por Edson Borges na corrida. “Gravei muita coisa aqui (em Roma) para falar no livro. É foco total. Dedicação no lançamento do livro.”

30 maratonas em 30 dias

Já imaginou correr 1.260 quilômetros em 30 dias? O ultramaratonista Edinho vai encarar um grande desafio para ajudar o Instituto Vovô Chiquinho, uma instituição localizada em Central Carapina, na Serra, que acolhe crianças e jovens em situação de risco social. "Cuida de mais de 360 crianças. Eu sou embaixador. Ano passado, nós compramos um terreno anexo ao projeto".

A gente quer construir uma ala para 70 berçários, uma cozinha industrial e o refeitório para as crianças

Edson Borges Ultramaratonista

Para auxiliar na divulgação e captação de recursos para as obras do instituto, o capixaba vai completar 30 maratonas em 30 dias consecutivos. Tudo isso dentro de um percurso de 1 quilômetro na orla da praia de Camburi, em Vitória. E já tem data marcada: do dia 1º ao dia 30 de junho.


“A gente vai estar com apoio da Federação de Atletismo do Estado do Espírito Santo e da Prefeitura Municipal de Vitória. O intuito é arrecadar esse dinheiro para o Instituto Vovô Chiquinho.”


Dentro do projeto, as crianças e jovens atendidos têm a oportunidade de receber almoço, café da tarde e jantar antes de voltarem para as suas casas. Por se tratar de um instituto gratuito, funciona por meio de doações.


Para Edinho, é motivo de muito orgulho fazer parte dessa história, por meio da corrida de rua. “Eu falo que eu só vou parar quando as pessoas não precisarem mais de mim para transformar vidas. Enquanto eu puder transformar vidas, eu vou correr.”

Edinho completou a Maratona do Sol, em Vila Velha, em 2025
Edinho completou a Maratona do Sol, em Vila Velha, em 2025 Divulgação/Edson Borges

Ultramaratonista: muito além dos 42 quilômetros

Além de se aventurar nos 42 quilômetros de uma maratona, Edinho se desafia em distâncias ainda maiores. O capixaba também é ultramaratonista, ou seja, percorre distâncias que vão além dos 42 quilômetros. “Eu fiz Ultra Trail da Amazônia com 149 km, eu fiz a Patagônia com 80 km, eu fiz a Ultra Maratona de Indaiatuba, na qual fui 3º colocado geral na prova de 12 horas, eu fiz 110 km. Fiz vários desafios”.


Apesar das várias ultramaratonas, Edson tem um carinho especial por uma travessia que realizou no Brasil. O corredor foi do Rio de Janeiro até a Bahia em sete dias. “Deu 57 km por dia na BR 101. Essa história foi legal. A travessia foi uma das mais importantes para mim”.

Recado para quem deseja começar na corrida de rua

A corrida de rua tem um enorme poder de transformação e ultrapassa as barreiras da atividade física. Existem inúmeros exemplos e a história de Edson Borges é uma delas. O capixaba teve a capacidade de superar a obesidade e se tornar um maratonista. Ou melhor, um ultramaratonista. “A corrida vai muito além de um esporte. Ela é inclusiva. Todo mundo abraça todo mundo. É universal”, destaca Edinho. 


Para aqueles que desejam começar no esporte, Edinho conta que é fundamental viver e desfrutar de todo processo. Afinal, acima de qualquer coisa, precisa ser um momento de alegria e diversão. “Para quem quer começar, aproveite o processo. Não burle. Suba degrau por degrau.”

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Vitor Gregório

Formado em Jornalismo pela Universidade Vila Velha (UVV), já foi assistente de marketing e está em A Gazeta desde 2024. Há cerca de quatro anos na corrida de rua, conhece de perto a rotina de treinos, provas, pódios, medalhas e também os desafios de quem corre.

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