Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Sem amor à primeira vista

Nos investimentos, fuja das paixões para não acabar de 'bolso partido'

Se estar apaixonado(a) costuma fazer bem para o corpo e a alma, no mercado, deixar a impulsividade típica das paixões dominar a razão ao investir costuma ter um desfecho doloroso

Públicado em 

27 mar 2025 às 08:41
Leonardo Pastore

Colunista

Leonardo Pastore

A afinidade e a predileção pessoal por algum mercado, marca ou segmento comercial são grandes influenciadoras do modo como as pessoas usam seu dinheiro. Mas, se comprar aquele último modelo de smartphone de marca famosa só traz uma fatura extra para pagar no fim do mês, no mundo dos investimentos, agir por impulso causa consequências bem piores.
A cena é comum: alguém é apresentado a uma nova oportunidade no mercado e parece ser amor à primeira vista! Há convicção absoluta de ganhos extraordinários e riscos mínimos. Com aquele frio na barriga, fecha-se o negócio. O frisson dura alguns dias ou anos, mas a realidade vem e deixa corações e bolsos partidos.
No mercado, uma paixão não correspondida na hora de investir custa dinheiro Crédito: Shutterstock
Infindáveis são os exemplos de ruínas financeiras causadas por investimentos desprovidos de racionalidade e embebidos pela paixão: a febre das tulipas na Holanda do século XVII (considerada a primeira bolha especulativa da história), a crise das empresas PontoCom na década de 1990 e a crise do subprime de 2008, entre outros.
Mas não é necessário uma bolha estourar para que alguém se dê conta que a paixão falou mais alto na hora de investir. O indicativo mais evidente que a razão ficou em segundo plano é fazer qualquer investimento sem investigar a fundo todos os detalhes daquele ativo (para que serve, sua liquidez, segurança, garantias e muito mais). Avaliar estes pormenores é algo metódico e pode parecer entediante, mas é a vacina contra a paixão em qualquer mercado.
Como ensina Alexander Elder, o investidor bem-sucedido é realista e não se dá ao luxo de alimentar ilusões ("Como se transformar em um operador e investidor de sucesso". Rio: Campus, 2004, p. 15). Então, se você adora uma empresa e quer nela investir, ótimo, mas, antes, entenda seu modelo de negócio, concorrentes, ciclos de mercado, riscos envolvidos e tudo mais que possa impactar seus resultados.
Se identificou uma pechincha no mercado de imóveis, antes de comprar, reflita que o preço indica como está a demanda por aquele bem/produto. E, se o preço caiu, é porque talvez a procura não esteja tão alta como você imagina, e por aí vai... Esqueça um pouco o que você crê e leve em conta o que o mercado diz.
Redobre o cuidado em momentos de sell-off no mercado, ou seja, quando o preço de um ativo cair bruscamente. Nessas horas, a paixão pode ser aguçada pela sensação ilusória de maior oportunidade, prejudicando-se ferozmente a análise fria e necessária sobre a relação risco/retorno da operação.
Fazer o contrário e deixar a impulsividade típica das paixões dominar a razão ao investir costuma ter um desfecho doloroso. Com o tempo, muitos descobrem que investiram numa paixão platônica, em algo que não tinha fundamento! E se, na vida pessoal, uma paixão não correspondida dá dor de cotovelo, no mercado, ela custa dinheiro.

Leonardo Pastore

É assessor de investimentos da Valor/XP Investimentos. É mestre em Direito e professor de pós-graduação.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Aeroporto de Cachoeiro é inaugurado e mira ampliação para voos comerciais
Imagem de destaque
'Momento pede renovação', diz Renzo, sobre apoio do PSD a Pazolini
Imagem de destaque
Como a criação ilegal de pássaros silvestres ameaça o meio ambiente no ES

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados