Produtos financeiros isentos de imposto de renda costumam ser vendidos no mercado financeiro como se fossem a melhor solução para o investidor. Mas até que ponto isso procede?
Evitar os impostos é algo intuitivo, e o Direito, inclusive, dá um nome a quem faz isso legalmente: elisão tributária – uma economia de imposto amparada pela lei. Mas, em finanças, muitas vezes, o investidor ganha mais justamente quando opta por produtos que têm incidência de imposto de renda.
Na renda fixa, há um caso clássico: escolher entre um CDB e uma LCA/LCI. Esses ativos estão na mesma classe de risco e contam com a segurança do FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Mas é comum ouvir alguns preferirem uma LCA/LCI a um CDB, já que, nos CDBs, paga-se imposto de renda, o que não ocorre em uma LCA/LCI.
Porém, como adiantado, nem sempre pagar imposto em um investimento é um mau negócio. Antes de tudo, é necessário fazer as contas para se chegar à conclusão. Na prática, dependendo da taxa ofertada e/ou prazo do investimento, haverá CDBs que valerão mais a pena que LCAs/LCIs, apesar do imposto incidente na operação.
Veja este exemplo: alguém que possui R$ 10.000 para investir em renda fixa pelo prazo de 9 meses chega no banco e se vê diante de dois ativos pós-fixados: um CDB que rende 105% do CDI e uma LCA de 85% do CDI. A taxa bruta do CDB é maior e poderia influenciar a escolha à primeira vista. Contudo, nesse prazo, os rendimentos do CDB seriam tributados em 20% e seu resultado líquido seria de 84% do CDI (105% - 20% = 84%), inferior, portanto à taxa entregue pela LCA (85% do CDI), que seria a opção mais vantajosa.
Mas, por outro lado, se o investimento inicial fosse para um período de 12 meses, a escolha deveria ser outra. Ainda que com as mesmas taxas (CDB 105% do CDI e LCA com 85%), a melhor escolha seria o CDB, pois a faixa de tributação passaria para 17,5% dos rendimentos (na renda fixa, a tributação é regressiva, começando em 22,5% para terminar em 15%, conforme o prazo do investimento). O CDB renderia, descontados os impostos, 87,15% do CDI (105% - 17,5% = 87,15% do CDI), ao passo que a LCA continuaria entregando os mesmos 85% do CDI por já ser isenta, independente do prazo.
O que indicará a melhor escolha, portanto, é o resultado final, independentemente se o ativo em que investir for isento ou não de imposto. Fuja do discurso fácil dos bancos e faça as contas para avaliar que, na prática, pagar imposto de renda pode fazer você ganhar mais dinheiro.