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Controle da inflação

Selic deve subir: entenda como isso impacta seus investimentos

Alta dos juros se faz necessária para desacelerar a economia e reduzir o IPCA, que acumula alta de 4,24% nos últimos 12 meses

Publicado em 16 de Setembro de 2024 às 08:22

Públicado em 

16 set 2024 às 08:22
Andre Motta

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Andre Motta

O que parecia distante no início do ano agora se torna realidade: na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nesta quarta-feira (18), a taxa Selic, atualmente em 10,5%, deve sofrer um aumento de pelo menos 0,25%. Com a meta de inflação fixada em 3% e um cenário de forte atividade econômica — o PIB tem previsão de crescimento de 3% em 2024 —, a alta dos juros se faz necessária para desacelerar a economia e reduzir o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que acumula alta de 4,24% nos últimos 12 meses, ao patamar desejado.
Apesar da necessidade de conter a inflação, a meta de 3% gera debates. Como já discuti anteriormente, considero essa meta ambiciosa demais para o Brasil. Nossa economia enfrenta desafios estruturais que tornam difícil sustentar uma inflação tão baixa sem custos elevados. A demanda por gastos públicos, que impulsionam a inflação, é uma constante no país. Não por acaso, só em 2017 conseguimos atingir níveis inflacionários próximos a esse patamar. Com o crescimento econômico atual, a inflação acaba se distanciando da meta, como estamos presenciando agora.
Selic, a taxa básica de juros brasileira, está numa trajetória de alta devido à inflação
Selic, a taxa básica de juros brasileira, deve aumentar na reunião da próxima quarta-feira (18) Crédito: A Gazeta/Canva Pro
O cenário é o seguinte: o PIB está em alta, o desemprego em queda, a renda das famílias em crescimento e o crédito em expansão. Esse conjunto pressiona especialmente os preços dos serviços, mantendo a inflação na casa dos 4%. Diante disso, o Banco Central deve iniciar um novo ciclo de alta da Selic, que hoje já oferece juros reais em torno de 6,5%, podendo subir para algo próximo de 8%.
Para investidores em renda fixa, esse cenário é animador. Juros elevados significam maior retorno acima da inflação, com segurança e liquidez. Já para quem aposta em fundos imobiliários, o impacto tende a ser negativo, uma vez que os investidores costumam comparar os dividendos pagos por esses fundos com os juros da renda fixa. Quanto à bolsa de valores, a reação pode ser menos acentuada, visto que o mercado já antecipa a alta da Selic, incorporando essa expectativa nos preços das ações.
O controle da inflação para atingir a meta exige, de fato, um aumento nos juros. No entanto, isso desencadeia um ciclo perverso que nos aproxima cada vez mais da chamada “dominância fiscal”. Esse conceito refere-se ao ponto em que a alta dos juros torna a trajetória da dívida pública insustentável, o que assusta o mercado. Diante desse risco, investidores buscam refúgio no dólar, pressionando a cotação da moeda americana e, por consequência, aumentando o custo de diversos produtos, alimentando ainda mais a inflação.
O Brasil precisa enfrentar essa questão o quanto antes. Uma trajetória mais sustentável da dívida é essencial para que o país possa crescer sem gerar inflação. Diversas medidas de ajuste fiscal precisam ser implementadas, embora envolvam um alto custo político. 
O atual governo, ao que tudo indica, não parece disposto a enfrentar esse desgaste. No entanto, é provável que o governo que assumir em 2027, seja de esquerda ou de direita, não escape de promover reformas estruturais impopulares para equilibrar o orçamento da União e garantir um crescimento econômico saudável.

Andre Motta

Formado em engenharia civil pela Ufes, pos-graduado em Financas pelo IBMEC-MG e com mestrado em Administracao pela Fucape, geriu o clube de investimentos Investvix entre 2011 e 2015. E assessor de Investimentos na Valor Investimentos desde 2016

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