As últimas semanas trouxeram alívio para os investidores do mercado de ações brasileiro. O Ibovespa, principal índice do nosso mercado acionário, acumula alta superior a 12% desde 17 de junho, enquanto o retorno do CDI (principal referencial da renda fixa) foi de 11,5% nos últimos 12 meses. Esse desempenho do Ibovespa evidencia a dificuldade de se fazer o chamado market timing, ou seja, tentar prever o melhor momento para comprar ou vender ações. De um momento para outro, um indicador mais favorável pode alterar o fluxo de capital e provocar uma forte alta no mercado.
A recente valorização do Ibovespa é resultado de uma combinação de fatores: as perspectivas de cortes nas taxas de juros nos Estados Unidos a partir de setembro, a redução do ruído político com o fim das tensões entre o Presidente Lula e o Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e a disposição do Governo em cortar gastos. Além disso, o mercado estava tecnicamente "leve", com poucos investidores posicionados em ações brasileiras, o que fez com que qualquer novo fluxo de recursos elevasse rapidamente os preços das ações.
Outro fator positivo foi a divulgação dos balanços do segundo trimestre das empresas listadas, que em geral apresentaram crescimento nos lucros, melhora nas margens e redução do endividamento, indicando que as companhias estão saudáveis, lucrativas e ainda negociadas a preços atrativos.
Apesar do bom desempenho recente, a vida do investidor em ações não tem sido fácil. Nos últimos dois anos, entre julho de 2022 e julho de 2024, o Ibovespa valorizou aproximadamente 23%, mas foram 14 meses de alta contra 10 meses de queda. No primeiro semestre de 2024, por exemplo, o índice acumulou uma queda de quase 7%, apenas para se recuperar nas últimas semanas. Essa volatilidade frequente gera insegurança entre os investidores, afastando muitos do mercado de renda variável.
Com as taxas de juros elevadas, muitos investidores se sentem mais confortáveis na renda fixa. Contudo, a longo prazo, as ações de boas empresas oferecem um prêmio de risco que pode gerar retornos significativos. Enquanto o CDI entregou 11,5% nos últimos 12 meses, o conjunto de ações de "utilidades públicas", que inclui setores como energia, telecomunicações, saneamento, rodovias, ferrovias e portos, entregou mais de 21% no mesmo período. E isso em um contexto em que a maioria dos investidores estava evitando a renda variável e se concentrando na renda fixa.
Se você tem um perfil conservador e não tolera volatilidade, a renda fixa no Brasil oferece bons retornos. No entanto, se você está disposto a aceitar alguma volatilidade, a diversificação é fundamental. Investir em uma combinação de ações de qualidade, tanto no Brasil quanto no exterior, pode proporcionar retornos adicionais interessantes a longo prazo. A história mostra que assumir riscos controlados pode ser recompensador em termos de rentabilidade no seu portfólio de investimentos.