O Produto Interno Bruto do Brasil, mais conhecido como PIB, cresceu 0,6% no terceiro trimestre na comparação com os três meses anteriores. É mais do que estimavam os mercados. Em relação ao terceiro trimestre de 2018, subiu 1,2% - um bom salto, sem dúvida.
Estes números injetam otimismo moderado na economia. Criam esperança de um futuro mais confortável, no longo prazo. As projeções devem ser revistas. Provavelmente, 2019 será encerrado com expansão em torno de 1,1% , voo de galinha um pouco mais alto do que 0,9% até então previsto. Para 2020, pode-se visualizar expansão em torno de 2,2%. Esse otimismo, embora longe de euforia, terá importante função de impulsionar o crescimento, se contaminar o mundo real dos consumidores e das empresas (indústria, comércio e agronegócio). Nesse caso, o PIB pode passar dos 2,2% em 2020, sonhados hoje.
Há um ano, quando Bolsonaro vestia a faixa presidencial, o Brasil esperava crescer 2,5% em 2019. Era a mediana das expectativas. Portanto, tem gosto frustrante terminar o ano com avanço em torno de 1,1%. Porém, causa certo alívio a percepção de que está chegando ao fim a fase mais difícil da recuperação econômica, embora o desemprego permaneça alto. No Espírito Santo, a taxa de desocupação ficou em 10,6% no terceiro trimestre. Mas está caindo, felizmente. Além disso, a visão de um futuro melhor é favorecida pela agenda de reformas, iniciada pela Previdência, e pela impaciência benigna do setor privado, que não aguenta mais pibinhos. A população, também não. Quem gosta de sofrer?
A reação da iniciativa privada é o carro chefe do crescimento. Veja o quadro do terceiro trimestre, apontando que os três setores tiveram expansão no período: a agropecuária avançou 1,3% em relação ao trimestre anterior, e 2,1% em um ano; a indústria, 0,8% ante o trimestre anterior e 1% em um ano; e os serviços, 0,4% na comparação com o trimestre anterior e 1% em um ano. Com a redução da taxa básica de juros, a inflação deprimida, e a liberação do saque do FGTS, além da diminuição (embora muito lenta) do desemprego, o consumo das famílias foi maior entre julho e setembro: 0,8% cotejado com o trimestre anterior e 1,9% em um ano.
No Espírito Santo, os números do terceiro trimestre são diferentes. O volume de vendas do comércio varejista ampliado e o volume de serviços cresceram, respectivamente, 1,5% e 3,9%, segundo o IBGE. Em contrapartida, o desempenho da indústria local é decepcionante: retração de 14,9% na produção física. Desde o final da recessão, em 20176, o ritmo da atividade industrial (muito dependente das grandes companhias que atuam no mercado internacional) vem travando a intensidade da economia capixaba. Por falar em comércio exterior, não fosse a venda de uma plataforma de petróleo, em setembro, o valor das exportações pelo litoral do Estado teria afundado 13,7% no acumulado de 2019, até outubro.
Paralelamente ao caminhar das reformas estruturais, um fator de esperança de maior robustez da economia brasileira, a partir de 2020, está no investimento: houve aumento de 2% no terceiro trimestre ante os três meses anteriores, e de 2,9%, na comparação com o terceiro trimestre de 2018, emendando o oitavo resultado positivo seguido, após 14 trimestres de queda. A alta foi puxada pela construção civil, que havia recuado durante 20 semestres consecutivos, e passou a esboçar reação a partir do meio deste ano. E há muito o que crescer.
As privatizações de bens de infraestrutura (portos, estradas etc) podem trazer novas perspectivas ao segmentos de obras pesadas. Na área habitacional, o campo também é vasto. No Espírito Santo, o déficit de moradias abrange 383,7 mil famílias, segundo o CadÚnico, uma publicação periódica do Instituto Jones dos Santos Neves..
O ressurgimento, ainda que tímido, da confiança na economia é um grande presente de Natal e Ano Novo para o Brasil. Deve facilitar o tratamento de muitos problemas.
Espera-se o reconhecimento das agências internacionais que vendem palpites sobre o risco país. Já é hora de melhorar a nota do Brasil - condição desejável para a atração de investimentos.