A escolha da Bispa Eliane Leal Vieira, por Lorenzo Pazolini
(Republicanos), como sua companheira de chapa, é, antes de tudo, uma vitória
política (mais uma) para o senador Magno Malta, que agora pode dizer que fez
barba, cabelo e bigode na coligação encabeçada pelo ex-prefeito de Vitória:
1. Conseguiu emplacar a filha, Maguinha (PL), como
candidata ao Senado com apoio declarado de Pazolini;
2. Conseguiu barrar a candidatura de Sérgio
Meneguelli (e até eventual candidatura de Paulo Hartung) ao Senado por essa
coligação;
3. Agora, conseguiu emplacar a candidata a
vice-governadora de Pazolini, saída de sua costela política.
No próximo domingo (16), primeiro dia do período oficial de
campanha, o senador poderá até pedir música no “Fantástico”.
No longo e tortuoso processo de definição da sua companheira
de chapa, Pazolini mirou em Lívia Vasconcelos, mas acertou em Magno Malta (e levou quase outra Maguinha).
Explico.
Desde o fim do ano passado, havia dois nomes mais fortemente
cotados para essa posição, ambos do Partido Social Democrático (PSD), a médica
Lívia Vasconcelos, primeira-dama de Colatina, e o ex-prefeito de Linhares
Guerino Zanon. Mas Pazolini tinha preferência pela escalação de Lívia, como
ficou patente na reta final do período de convenções partidárias.
Pazolini chegou a convidar Lívia para o posto ao seu lado na
chapa, como a própria chegou a confirmar em entrevista. Entre os dias 4 e 5 de
agosto, o PSD esteve muito perto de entrar oficialmente na coligação do
ex-prefeito, com Lívia na vice. Na hora H, porém, o PSD, presidido por Renzo
Vasconcelos (prefeito de Colatina e marido de Lívia), decidiu seguir em voo solo,
anunciando neutralidade formal na eleição para governador.
Isso, em grande parte, por obra de Magno Malta. Como o
senador vetou a candidatura de Sérgio Meneguelli (PSD) ao Senado por essa
coligação, Renzo acabou bancando a candidatura de Meneguelli numa chapa
independente.
Assim, no dia 5 de agosto, o PSD ficou fora da coligação de
Pazolini, e este, sem seu nome preferido para a vice.
Os articuladores do prefeito, então, viram-se às voltas com
a missão de mapear e encontrar, urgentemente, outra mulher para ladear
Pazolini. Sim, outra mulher. Até o último momento, o ex-prefeito manteve-se
firme na tese de que sua candidata a vice teria de ser uma mulher, para conferir
“equilíbrio de gênero” à chapa liderada por ele e atrair o voto do eleitorado
feminino.
No bunker de Pazolini, pesquisas qualitativas internas
apontavam que esse seria um perfil politicamente interessante para a
composição.
Nos últimos dias, então, várias potenciais candidatas a vice
foram testadas. Mulheres filiadas ao PL, ao próprio Republicanos e também do
pequeno Democrata (antigo Partido da Mulher Brasileira). Algumas delas,
candidatas a deputada. Nenhuma delas vingou.
Nesta sexta-feira (14), penúltimo dia para o pedido de registro de candidaturas à Justiça Eleitoral, dois nomes ganharam força nos bastidores.
O primeiro foi o da empresária de Colatina Val Meirelles, filiada ao PL. Apesar de ela ser do partido de Magno, sua indicação, a bem da verdade, partiu do próprio Republicanos, que a mapeou e a identificou como um perfil interessante.
Portanto, a indicação não foi de Magno e não ganhou o apoio nem o
entusiasmo do PL. No fim da tarde, falamos por telefone com a própria Val. Ela
disse não ter informações sobre o tema.
O segundo nome foi o da Bispa Eliane Leal, também filiada ao
PL. Esta, sim, foi indicada pela direção do partido de Magno (o próprio). Policial
militar da reserva em Colatina, ela tem esse nome de urna por ser pastora e
pelo trabalho de pregação evangélica que faz (inclusive em praças públicas).
Estava na chapa estadual do PL, como candidata a um lugar na Assembleia
Legislativa. Agora, será deslocada para a chapa majoritária de Pazolini.
Na tarde desta sexta-feira, a “bispa” chegou a viajar de
Colatina para Vitória, a fim de se reunir com “seu presidente” Magno Malta,
segundo ela própria.
Com 50 anos, mulher, casada, cristã, conservadora, indicada pelo PL, e ainda por cima do interior (aliás, de Colatina, mesma cidade de Lívia), Eliane preenche muitos dos pré-requisitos buscados por Pazolini.
Os riscos
No entanto, ao fazer tal escolha – sob evidente influência
de Magno –, Pazolini pode estar a dar um passo arriscado.
A julgar por suas muitas postagens no Instagram, a “bispa”
segue uma linha que flerta com o fundamentalismo religioso, bem ao estilo de
Magno Malta e de Maguinha, beirando o bolsonarismo mais radical. A escolha
indica um passo largo de Pazolini na direção da extrema-direita representada
por Magno.
No fim das contas, por absoluta falta de uma “outra Lívia”,
isto é, uma outra possível candidata que atendesse a tudo e a todos os envolvidos,
o ex-prefeito de Vitória acabou por fazer mais essa concessão ao PL.