Torino e Bahiense votaram pela expulsão de Assumção do PSL
Cartão vermelho duplo
Torino e Bahiense votaram pela expulsão de Assumção do PSL
Ata da reunião da Executiva que selou o destino do deputado registra os votos e traz as assinaturas dos dois ex-colegas de bancada de Assumção na Assembleia. Veja o documento
Também na véspera da reunião, ainda na condição de presidente estadual, Amarildo declarou à coluna que a direção no Espírito Santo faria tudo o que fosse determinado pela direção nacional. Ou seja, no início de março, Assumção já estava condenado dentro do PSL.
O que mais chama a atenção, no entanto, é a participação de Torino e Bahiense nessa decisão. Na reunião da Executiva Regional no dia 6, Amarildo Lovato colocou em discussão a proposta de desligamento compulsório (expulsão) de Assumção. Estavam presentes todos os membros da cúpula do partido no Estado, formada no início de fevereiro, incluindo Torino Marques, como 1º vice-presidente, e Danilo Bahiense, como 2º vice-presidente. Torino foi o secretário da reunião.
Da esquerda para a direita: Subtenente Assis, Carlos Von, Amarildo Lovato, Capitão Assumção, Danilo Bahiense e Torino MarquesCrédito: Torino Marques
Após exposição de seus argumentos, a proposta de Lovato foi colocada em votação e aprovada por todos os presentes. Além de Lovato, Torino e Bahiense, votaram o secretário geral do PSL-ES, Fabrício Karisten, o primeiro secretário, Luciano Merlo, e o primeiro tesoureiro, Flavio Mello Sant'ana. Os seis assinam a ata da reunião, enviada ao TRE em anexo ao ofício comunicando a expulsão.
Detalhe importante, porém: a proposta de Lovato, deliberada e aprovada por todos, foi feita com a ressalva de que a Executiva Regional não pedirá à Justiça Estadual o mandato do parlamentar. Assim, com essa decisão tomada e comunicada oficialmente, nesses termos, ao TSE, Assumção está completamente livre para filiar-se a outro partido sem incorrer no menor risco de ter cassado o mandato que exerce na Assembleia Legislativa.
Conforme a ata da reunião do dia 6, “o partido não tem interesse na vaga de deputado estadual ocupada pelo Capitão Assunção, e não irá requerer a vaga de deputado estadual do Capitão Assumção na via judicial por motivo de infidelidade partidária ou qualquer outro, estando o deputado estadual Capitão Assumção livre para se filiar a qualquer partido de sua preferência, a partir da presente data”.
DE CARTÕES E CARTAS
O cartão vermelho a Assumção veio, então, com uma carta branca.
Diga-se de passagem, o curioso hiato entre a data da reunião e a do protocolo junto ao TRE reforça uma sensação presente no mercado político: a de que, no fundo, o “desligamento compulsório” de Assumção pode ter sido uma “ação entre amigos”, isto é, fruto de um entendimento paralelo entre Lovato e Assumção. Doze dias se passaram entre a tomada da decisão, no dia 6, e a comunicação ao TRE, no dia 18.
E notem que o dia 18 foi justamente o data em que Amarildo Lovato foi formalmente substituído por Alexandre Quintino na presidência da Executiva Regional do PSL, por determinação de Luciano Bivar.
Tudo leva a crer que, com a decisão da expulsão tomada, Lovato guardou o documento (cuja data é 6 de março) como uma carta na manga, para “usar em caso de necessidade”. Ao receber a confirmação de que seria trocado na presidência, entregou o ofício ao TRE, a fim de liberar Assumção para procurar outro partido (o que pode fazer até 4 de abril) e concorrer à Prefeitura de Vitória, sem risco de perder seu mandato parlamentar na Assembleia.
Até porque Lovato e Assumção sabiam que, uma vez na presidência estadual do PSL, Quintino tencionava travar os movimentos de Assumção, deixando-o preso no PSL, mas sem legenda para concorrer à Prefeitura de Vitória.
Não por acaso, Quintino só ficou sabendo da expulsão pela imprensa, na noite do dia 19, um dia depois de ela ter sido comunicada por Amarildo Lovato ao TRE.
Basicamente, na reunião do dia 6, Lovato enumerou como motivos para a expulsão de Assumção: o constrangimento e o desgaste gerados por Assumçao à imagem do PSL-ES por conta do seu “apoio incondicional ao presidente Jair Bolsonaro (desafeto de Bivar e do próprio PSL), do seu apoio explícito à criação do partido Aliança pelo Brasil e das “constantes polêmicas ocasionadas, devidamente divulgadas na mídia, e que levou (sic) a pedido de cassação de seu mandato protocolado na Assembléia Legislativa”.
Considerando a decisão do PSL — PARTIDO SOCIAL LIBERAL/ES, venho informar V. Exa. da decisão que deliberou pelo desligamento compulsório (expulsão) do Deputado Estadual Capitão Assumção (Lucínio Castelo de Assumção), conforme cópia da ata em anexo.
Esclareço que a decisão é definitiva e em caráter irrevogável, tendo sido formulada em virtude de diversos motivos, dentre os quais destaco o apoio incondicional do Deputado Estadual Capitão Assumção ao presidente Jair Bolsonaro, o apoio à criação do partido Aliança, e as constantes polêmicas ocasionadas, devidamente divulgadas na mídia, e que levou (sic) a pedido de cassação de seu mandato protocolado na Assembleia Legislativa.
Informo que o comportamento do Deputado Estadual Capitão Assumção ocasionou um desgaste na imagem do partido junto aos eleitores, sendo que muitos pré-candidatos deixaram de se filiar ao partido, e outros se desligaram em virtude de tais atos.
Por fim, esclareço que o partido não tem interesse na vaga de deputado estadual ocupada pelo Deputado Estadual Capitão Assunção, e não irá requerer a referida vaga na via judicial por motivo de infidelidade partidária ou qualquer outro, sendo que o Deputado Estadual Capitão Assumção encontra-se livre para se filiar a qualquer partido de sua preferência.
Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.