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Parentesco

Sobrinha de Ivan Carlini ganha cargo comissionado na administração de Arnaldinho

Mirela Carlini foi nomeada coordenadora de Pronto Atendimento. Ex-presidente da Câmara e prefeitura negam "indicação política" e prefeitura destaca currículo técnico da enfermeira

Públicado em 

16 jan 2021 às 02:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Ivan Carlini
Ivan Carlini Crédito: Amarildo
"Curtindo" seu primeiro biênio na planície após quase 30 anos de mandatos seguidos na Câmara de Vila Velha (os últimos 12 como presidente), Ivan Carlini diz que está tirando férias e que em abril se aposenta do Incra, mas já faz planos para seu retorno eleitoral em 2022: diz que está pensando seriamente em se candidatar a deputado estadual e que tem "muitos convites" para isso. Ivan pode ter saído da cena política em Vila Velha, mas não o sobrenome Carlini: o Diário Oficial do Município publicou nesta sexta-feira (15) a nomeação de uma sobrinha dele para cargo comissionado da Secretaria Municipal de Saúde, agora na administração do novo prefeito, Arnaldinho Borgo (Podemos) – o que sugere que, talvez, Ivan não tenha saído totalmente de cena, mas apenas do primeiro plano.
Na edição desta sexta-feira (15) do Diário Oficial de Vila Velha, Mirela Braz Carlini Guijans, sobrinha de Ivan Carlini, foi nomeada para o cargo comissionado de coordenadora de Pronto Atendimento (PA) da Secretaria Municipal de Saúde, padrão CC-2, por meio da Portaria 104/2021. O cargo é de livre provimento, ou seja, qualquer um pode ser nomeado. Mas tanto o ex-presidente da Câmara como a prefeitura negam que tenha havido "indicação política". Questionada pela coluna, a assessoria da prefeitura também destacou o currículo técnico da sobrinha de Ivan, que é enfermeira profissional.
Mirela Carlini já trabalhava na Prefeitura de Vila Velha, em cargo de designação temporária (DT). Antes disso, ela também chegou a ser comissionada durante a última administração de Max Filho (PSDB), antecessor de Arnaldinho Borgo. De 15 de fevereiro de 2017 (segundo mês da gestão de Max) a 04 de setembro de 2019, a sobrinha de Ivan Carlini exerceu o cargo comissionado de gerente de unidade de saúde porte II, padrão CC-3.
Dois dias depois, em 06 de setembro de 2019, ela tornou-se enfermeira da Prefeitura de Vila Velha em designação temporária. Atualmente, está lotada no PA de Cobilândia, reduto político de Ivan Carlini desde os anos 1990. 
Segundo a assessoria da Prefeitura de Vila Velha, "a nomeação seguiu critério técnico que partiu da secretária da pasta [Cátia Lisboa], pois a profissional possui experiência em saúde pública e privada, em cargo de atendimento especializado a coordenação. Vale ressaltar que nenhum cargo de coordenação de unidade tem indicação política".
Ainda de acordo com a assessoria da prefeitura, Mirela Carlini tem capacitação em Saúde Coletiva com Ênfase no Programa Saúde da Família, pela Faculdade Estácio de Sá (2006). No mesmo ano, concluiu estágio voluntário na função de enfermeira no Hospital Estadual Antônio Bezerra de Faria, localizado em Vila Velha. Em 2019, concluiu o Protocolo de Manchester e o Protocolo de Classificação de Risco em Obstetrícia, em Vila Velha. 
A sobrinha de Carlini não é concursada. No dia 02 de julho de 2020, o Diário Oficial de Vila Velha trouxe o resultado final de um concurso público do qual ela participou. Para o cargo de enfermeiro(a), com carga horária semanal de 40 horas, a nova coordenadora de PA ficou na 231ª colocação numa lista de 240 candidatos.   

O QUE DIZ IVAN CARLINI

Ivan Carlini nega qualquer participação pessoal na nomeação da sobrinha para o cargo de livre provimento. "Não. Desde que Arnaldinho entrou, não estive com ele. Também não estive mais na Câmara. Não tem nada a ver. Pode até ter sido indicação da secretária, mas minha não. Eu sube (sic) hoje de manhã que ela tinha sido nomeada", disse ele à coluna, nesta sexta-feira (15).
O ex-presidente da Câmara de Vila Velha diz que sua sobrinha trabalhou por quatro anos em Cariacica e depois em Vila Velha, durante os governos de Neucimar Fraga (2009-2012), Rodney Miranda (2013-2016) e Max Filho (2017-2020). De 2009 a 2020, ele presidiu a Câmara.
E por acaso "Dom Ivan" pretende fazer alguma indicação a Arnaldinho para provimento de algum cargo? "Não", responde ele, laconicamente. "Eu perdi a eleição. Quando você perde a eleição, nem o telefone toca mais", graceja o ex-presidente, fazendo questão de ressaltar, porém, que "deixou" R$ 1,8 milhão para o novo prefeito no orçamento do município para este ano (valor, segundo ele, economizado do orçamento da Câmara de Vila Velha no ano passado, seu último como presidente).
Mas e na gestão passada, de Max Filho, quantos cargos comissionados tinha Ivan Carlini na Prefeitura de Vila Velha? Ele dá uma resposta que contraria o senso comum na cidade: "Não tinha nenhum". Ivan dá a sua explicação. Na verdade, ele seria um grande "distribuidor de currículos":
"Quando as pessoas estão numa crise, numa situação, elas procuram os políticos, certo? Eu pegava parte dos currículos e deixava lá na prefeitura. Agora, quem eles chamavam, quem não chamavam, não sei. Eu levava os currículos das pessoas que me pediam. Você sabe quantos currículos eu tenho em casa hoje? Tenho 220 currículos lá em casa! São pessoas que vai (sic) lá em casa me pedir emprego. Aí deixam o currículo lá. Eu ia fazer o quê?  Eu mando pras empresas. Vou mandar pra Secretaria de Educação. Vou mandar lá pro gabinete do prefeito. São várias áreas. Tem currículo de gari, de motorista, de vários tipos. Não vou jogar esses currículos fora. Primeiro eu mando pra eles. Vou fazer uma pastinha, vou fazer uma lista e vou mandar tudinho. Agora, se eles vão chamar, já não sei..."

NA BRONCA COM O DEM

Não reeleito apesar de ter tido uma boa votação individual em 2020, Dom Ivan está na bronca com a direção do seu partido, o DEM. "O DEM deixou muito a desejar na eleição em Vila Velha. Tivemos nove mulheres candidatas a vereadora, e elas não receberam um tostão."
Ivan conta que ainda vai conversar com o deputado estadual Theodorico Ferraço, principal líder do DEM no Espírito Santo, e que estuda sair do partido, até porque hoje não tem mandato (situação inédita em quase 30 anos de política) e, segundo ele mesmo, tem convites para se filiar a outras siglas. Em abril, ele deve se aposentar do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), órgão no qual é servidor federal de carreira. Lá para metade do ano, conta, deve começar a avaliar mais detidamente seu futuro político. Uma das opções aventadas por ele é a de ser candidato a deputado estadual no ano que vem.  

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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