O horário eleitoral gratuito certamente ainda tem sua importância
na exposição dos candidatos e na definição dos votos dos eleitores, sobretudo
no interior e na periferia das grandes cidades. Quando pensamos em “propaganda
eleitoral de rádio e TV”, normalmente nos remetemos aos programas dos
candidatos nos dois blocos diários do horário eleitoral gratuito, exibidos na
hora do almoço e à noite.
Mas há algo ainda mais importante: as inserções de 30 segundos veiculadas no meio da programação,
durante os intervalos comerciais.
Sejamos francos: na correria do dia a dia, quem realmente se
detém para assistir, do início ao fim, a um bloco de 10 minutos do horário
eleitoral, com o revezamento de candidatos na tela ou no rádio? Muitos só escutam,
ou veem distraidamente, enquanto executam uma tarefa doméstica, fazem uma
refeição, mexem no computador ou celular (em nossa sociedade multitelas).
Já a inserção tem a vantagem de ser um punch: como o comercial de um produto, pega o ouvinte ou espectador
de surpresa, no intervalo da programação, podendo lhe transmitir uma mensagem
curta, direta e impactante.
Nesse contexto, quem sai em vantagem na eleição ao Palácio
Anchieta é Ricardo Ferraço (MDB). Ao longo do primeiro turno, da próxima
sexta-feira (28) até o dia 1º de outubro, o atual governador aparecerá em 467
inserções de 30 segundos (uma média de 13 ou 14 por dia de exibição do horário
eleitoral.
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É quase a metade das 980 inserções que irão ao ar no
período, somando os três candidatos a governador que têm direito a propaganda
eleitoral.
Em segundo lugar vem o ex-prefeito de Vitória Lorenzo
Pazolini (Republicanos), com direito a 316 inserções (média de 9 por dia).
O deputado Helder Salomão, candidato da Federação Brasil da
Esperança (PT, PV e PCdoB), terá 197 inserções (média de 5 ou 6 por dia).
Assim, a cada dia, Ricardo aparecerá 13 ou 14 vezes nos
intervalos; Pazolini, 9; Helder, 5 ou 6.
Assim como o tempo dos programas nos blocos do horário eleitoral, o número de inserções de cada candidato foi definido pela Justiça Eleitoral, na última sexta-feira (21), em função do tamanho das bancadas das respectivas coligações na Câmara Federal, ou seja, do número total de deputados federais dos seis maiores partidos e federações que estão com cada candidato.
Ricardo leva vantagem porque, entre os três, é o candidato com a maior coligação. Batizada de “Agora é o Futuro”, sua coligação é formada por MDB, Federação União Progressista (União Brasil e PP), Podemos, PDT, PSB, Federação PSDB/Cidadania e Agir.
Para efeito de cálculo do tempo, o Agir foi descartado, pois não tem nenhum deputado federal – e, mesmo que tivesse alguns, só podem ser considerados os partidos ou federações com as seis maiores bancadas da coligação.
A “contribuição” de cada aliado para Ricardo ficou assim, da maior para a menor bancada: Federação União Progressista (104 deputados federais), MDB (41), Podemos (20), Federação PSDB/Cidadania (18), PDT (16) e PSB (15).
Esses partidos, somados, têm 214 dos 511 deputados federais. É quase metade dos 434 deputados federais considerados na conta. Por isso, Ricardo ficou, sozinho, com quase metade do número total de inserções, assim como ficou com quase metade do tempo de propaganda em cada bloco de 10 minutos.
Já a coligação de Pazolini, “Paz pra viver um novo tempo”, somou 139 deputados federais, 98 deles vindos do PL e outros 41 do Republicanos. A coligação ainda tem o pequeno Democrata, que não tem representante na Câmara.
Sem outros partidos aliados, a Federação Brasil da Esperança, de Helder Salomão, tem 81 representantes na Câmara.
O tempo por bloco de 10
minutos
No horário eleitoral gratuito, a cada bloco de 10 minutos,
Ricardo ocupará 4 minutos e 17 segundos.
Pazolini terá direito a um programa com duração de 2 minutos
e 53 segundos.
Helder preencherá 1 minuto e 48 segundos.
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