Casaram na eleição de Arthur Lira / Da Câmara, o novo presidente / Que põe por terra de vez a mentira / De que as práticas do Jair são “diferentes” / Pra ajudar a eleger o novo aliado / Atuou direta e declaradamente / Fez o que, antes de o mundo ser criado, / Já faziam, desde muito antigamente
O Cordel do Casamento de Bolsonaro com o CentrãoCrédito: Amarildo
Já estava há quase 30 anos lá Mas as práticas seriam todas “novas” Não ia ter mais “toma lá, dá cá” “Barganhar com o Congresso uma ova!” Como sempre a realidade se impôs Não durou nem dois anos tal lorota Hoje ele e o Centrão são feijão com arroz E a promessa ilusória foi pra cova
“Quem muda são vocês, nós ficamos Ninguém governa nada aqui sem nós No decorrer dos anos, nós mandamos Podemos te deixar em maus lençóis Prazer, aqui estou, Centrão me chamo Com Temer, Dilma, Lula, FHC… Eu sirvo ao poder, seja meu amo Disponho meus serviços a você!”
O Jair começou com a bravata De governar acima dos partidos De que não ia aceitar negociatas E praticou uma tese sem sentido: Priorizar bancadas pelo tema Boi, bala e Bíblia na primeira fase Tardou a atentar para um problema: Que ele, no Congresso, não tinha base!
Vieram pressões, crise, pandemia Passou a água a lhe bater no queixo Fez ele o que jurou que não faria: Rendeu-se ao “toma lá, dá cá” sem pejo Centrão lhe oferecera seus serviços E ele então foi lhe bater à porta Antes dele, todos tinham feito isso Mas sua forma de agir não era “nova”?
Então o Centrão lhe estendeu o tapete Mas no dicionário político, é só checar Está lá muito claro o verbete: “Centrão” é igual a “toma lá, dá cá” Acesso a verbas, cargos, gabinetes... Um preço muito alto a arcar O Jair topou e começou o flerte Ambos começaram a namoricar
A corte evoluiu pra caso sério Com uma prova de amor e tanto: O Jair recriou um ministério E deu pro genro do seu Silvio Santos O compromisso estava provado E foi se ampliando com o tempo O ano passado foi o do noivado Agora consumou-se o casamento
Casaram na eleição de Arthur Lira Da Câmara, o novo presidente Que põe por terra de vez a mentira De que as práticas do Jair são “diferentes” Pra ajudar a eleger o novo aliado Atuou direta e declaradamente Fez o que, antes de o mundo ser criado, Já faziam, desde muito antigamente
Acordos e liberação de verbas Do governo, para muitos deputados Para garantir uma vitória certa De Arthur Lira, o seu candidato E quem é Arthur Lira, minha gente, Quem é Arthur Lira senão Um dos maiores expoentes Dessa grande e eterna noiva, o Centrão?
Líder do PP, um velho conhecido Aquele do mensalão, do petrolão... Réu em ação no STF, envolvido Em suspeitas várias de corrupção Foi denunciado pela Lava Jato Por participação no Quadrilhão do PP. Apoiou Dilma e Lula, é fato E ora sela com Jair nova união
O Brasil, na pandemia-pandemônio, Sem, no fim do túnel, enxergar um lume Porém no contrato de tal matrimônio Lê-se “prioridade: agenda de costumes” Só nos resta desejar a esse casal Que se une em núpcias e celebra bodas Boa sorte e alegria conjugal (E mais sorte ainda para a nação toda…)
Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo