Cordel Político: O Recado do Zé Gotinha para Jair Bolsonaro
Cordel Político
Cordel Político: O Recado do Zé Gotinha para Jair Bolsonaro
Presidente, eu, Zé Gotinha,
/ Só lhe peço o seguinte:
/ Respeite a tal “gripezinha”
/ E na ciência acredite
/ Deixe de veleidades
/ Mais trapalhadas evite / E lembre: um líder de verdade / Nestas horas não se omite
O recado do Zé Gotinha para BolsonaroCrédito: Amarildo
Caríssimo presidente, Quem lhe fala é o Zé Gotinha Criado em 86 Para vacinar a turminha Você já me viu, certamente, Se preencheu a carteirinha Dos seus filhos 2 e 3, Do Renan e da sua filhinha
Estou muito chateado Com o seu comportamento Deixando a ciência de lado Em tão difícil momento Vacinação salva vidas! Eu sou só a referência Pra chegar à minha vacina Houve muita pesquisa e ciência
Eu sou a vacina antipólio Não sou a da pandemia Mas desde o início era óbvio O rumo que o Brasil devia ter tomado: a negação? Não! Vou dar uma pista: Ouvir a voz da Razão Escutar os especialistas
O mundo inteiro corria Em busca da vacinação Mas aqui a pandemia Era alvo de gozação: Exagero da mídia, histeria Fantasia, invenção Ações reais não havia Só profunda omissão
Plano nacional não tinha Só “cloroquina” à exaustão O vírus letal? “Gripezinha” O senhor lavou as mãos Quase nunca mascarado Debochou da prevenção Voltinha, protesto, até nado Em prol da aglomeração
“E daí?”, disse você Sobre os mortos às centenas “Querem que eu faça o quê?” Seria demais sentir pena?!? E quando se suspendeu O estudo do Butantan Você até vibrou, meu Deus! Mostrando grandeza anã
Você disse que “venceu” Mas retomou-se o estudo E, em vez de incentivá-lo, Você preferiu os insultos: “Vachina”, “vacina do Dória” Falou que não era eficaz Pôs política na história Jurou não tomá-la jamais
Por picuinha e bobeira Profusões de estupidez Ofenderam a maior parceira Com a tese do “vírus chinês” Era tudo “um grande plano” Da China, disse o 03 O chanceler passou pano E o Itamaraty nada fez
E até o outro ministro, Em vez de cuidar do MEC, Resolveu mostrar racismo Em tuitada de moleque Imitando o Cebolinha Escrevendo assim: “elado” Também ofendeu a China Que, claro, deve ter amado...
Agora, ora, ora, ora… A nossa primeira vacina É aquela: a “do Dória” Aprovada pela Anvisa E você diz, de repente Que a “vacina é do Brasil” É claro! Mas, presidente: Todo mundo te ouviu!
Pior: a Terra é pequena E veja como ela dá voltas Depois de tantas ofensas De quem dependemos agora? Pra produzir mais vacina Precisamos dos insumos Enviados pela China Mas após tantos insultos?!?
Presidente, eu, Zé Gotinha, Só lhe peço o seguinte: Respeite a tal “gripezinha” E na ciência acredite Deixe de veleidades Mais trapalhadas evite E lembre: um líder de verdade Nestas horas não se omite
Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo