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Cordel Político

Cordel Político: O Recado do Zé Gotinha para Jair Bolsonaro

Presidente, eu, Zé Gotinha, / Só lhe peço o seguinte: / Respeite a tal “gripezinha” / E na ciência acredite / Deixe de veleidades / Mais trapalhadas evite / E lembre: um líder de verdade / Nestas horas não se omite

Publicado em 24 de Janeiro de 2021 às 02:00

Públicado em 

24 jan 2021 às 02:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

O recado do Zé Gotinha para Bolsonaro
O recado do Zé Gotinha para Bolsonaro Crédito: Amarildo

Caríssimo presidente,
Quem lhe fala é o Zé Gotinha
Criado em 86
Para vacinar a turminha
Você já me viu, certamente,
Se preencheu a carteirinha
Dos seus filhos 2 e 3,
Do Renan e da sua filhinha

Estou muito chateado
Com o seu comportamento
Deixando a ciência de lado
Em tão difícil momento
Vacinação salva vidas!
Eu sou só a referência
Pra chegar à minha vacina
Houve muita pesquisa e ciência

Eu sou a vacina antipólio
Não sou a da pandemia
Mas desde o início era óbvio
O rumo que o Brasil devia
ter tomado: a negação?
Não! Vou dar uma pista:
Ouvir a voz da Razão
Escutar os especialistas

O mundo inteiro corria
Em busca da vacinação
Mas aqui a pandemia
Era alvo de gozação:
Exagero da mídia, histeria
Fantasia, invenção
Ações reais não havia
Só profunda omissão

Plano nacional não tinha
Só “cloroquina” à exaustão
O vírus letal? “Gripezinha”
O senhor lavou as mãos
Quase nunca mascarado
Debochou da prevenção
Voltinha, protesto, até nado
Em prol da aglomeração

“E daí?”, disse você
Sobre os mortos às centenas
“Querem que eu faça o quê?”
Seria demais sentir pena?!?
E quando se suspendeu
O estudo do Butantan
Você até vibrou, meu Deus!
Mostrando grandeza anã

Você disse que “venceu”
Mas retomou-se o estudo
E, em vez de incentivá-lo,
Você preferiu os insultos:
“Vachina”, “vacina do Dória”
Falou que não era eficaz
Pôs política na história
Jurou não tomá-la jamais

Por picuinha e bobeira
Profusões de estupidez
Ofenderam a maior parceira
Com a tese do “vírus chinês”
Era tudo “um grande plano”
Da China, disse o 03
O chanceler passou pano
E o Itamaraty nada fez

E até o outro ministro,
Em vez de cuidar do MEC,
Resolveu mostrar racismo
Em tuitada de moleque
Imitando o Cebolinha
Escrevendo assim: “elado”
Também ofendeu a China
Que, claro, deve ter amado...

Agora, ora, ora, ora…
A nossa primeira vacina
É aquela: a “do Dória”
Aprovada pela Anvisa
E você diz, de repente
Que a “vacina é do Brasil”
É claro! Mas, presidente:
Todo mundo te ouviu!

Pior: a Terra é pequena
E veja como ela dá voltas
Depois de tantas ofensas
De quem dependemos agora?
Pra produzir mais vacina
Precisamos dos insumos
Enviados pela China
Mas após tantos insultos?!?

Presidente, eu, Zé Gotinha,
Só lhe peço o seguinte:
Respeite a tal “gripezinha”
E na ciência acredite
Deixe de veleidades
Mais trapalhadas evite
E lembre: um líder de verdade
Nestas horas não se omite

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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