O Cordel de Pazolini: a Saga do Delegado Bom de Voto
Cordel Político
O Cordel de Pazolini: a Saga do Delegado Bom de Voto
Canto a vós um delegado / Que fama e bravura ostenta
/ Projetou-se neste Estado / Porque abusos ele enfrenta / Tem nome de diretor / De cinema: Pazolini / Ganhou o voto do eleitor / Vai estrelar o próprio filme
O Cordel de Pazolini: a Saga do Delegado Bom de VotoCrédito: Amarildo
Canto a vós um delegado Que fama e bravura ostenta Projetou-se neste Estado Porque abusos ele enfrenta Tem nome de diretor De cinema: Pazolini Ganhou o voto do eleitor Vai estrelar o próprio filme
Seu nome é italiano Mas o sangue até que é frio Fala calmo, “piano, piano” Mas também acende o pavio Nas brigas e nas contendas Não se mostra muito afoito Vai à tribuna, argumenta Sem sacar seu 38
Trinta e oito é a idade Do jovem bom de resenha Perdeu o pai na mocidade Cresceu em Jardim da Penha Estudou um bocado Na FDV fez Direito Mas não virou advogado Já tinha o plano perfeito:
Entre Vitais e baladas, Entrou pra nação concurseira Lendo até de madrugada (Devem vir daí as olheiras) O suor não foi eterno Logo foi selecionado: Auditor de controle externo Na Corte de Contas do Estado
No tribunal ficou pouco Como experiência lhe serviu Mas logo foi aprovado em outro Certame: o da Polícia Civil Rodou por delegacias E atuou em muitas frentes No interior, na Corregedoria E na divisão de Entorpecentes
Até que, cinco anos atrás, Foi chefiar a DPCA E da mídia, então, não saiu mais Virou praticamente um pop star Nesse departamento da polícia Conduziu operações notáveis E protagonizou muitas notícias No combate a crimes inomináveis
Na bandeira aproximou-se de Magno É fato e é preciso registrar: Transformaram CPI em espetáculo Num show que se haveria de evitar Em 2018 se lançou Pela primeira vez, pra deputado O eleitorado o abraçou Foi logo o 2º mais votado
“Chegou chegando” na Assembleia Pulou a “fase de adaptação” Chamou a atenção no ano de estreia Por sua atuação na oposição Isto é, sempre se disse “independente” Mas era opositor, convenhamos… Com a base já bateu muito de frente Que o diga Enivaldo dos Anjos…
Seu voto sempre foi “não” Nos projetos mais importantes Enviados para votação Pelo governo Casagrande: Previdência, regras de transição O PPA, o Fundo Soberano Criação da iNova (a fundação) E até no orçamento deste ano!
Aproximou-se do grupo de Amaro De Roberto e de Erick Musso Filiou-se ao partido deles (claro) E foi, então, prestar outro concurso: Para prefeito da Capital! Mas antes se envolveu em confusão: A da “visitinha” ao hospital Para o governo, uma “invasão”
Na campanha juntou aliados Muita gente bem ligada ao Paulo Magno ficou escanteado Pazô não quis com a vice agraciá-lo Para a vaga, escalou uma PM Estéfane, uma jovem oficial Chapa ante a qual bandido treme Cem por cento formação policial
Falaram bastante de segurança Mas também propostas em outras áreas Conflitos também houve em abundância Sobretudo com Gandini: tretas várias! Este tentou pôr Gratz e o crime No colo do delegado, má aposta E uma operação contra Gandini Foi de Pazolini a resposta
Depois, no 2º turno, com João, Briga de ideologia, sim, senhor! Veio à tona o hospital, sua ligação Com Damares e com o ex-senador Mas Pazô nunca aceitou ser rotulado Como um produto do bolsonarismo Disse: “Apenas na cidade tô focado E a técnica será meu catecismo”.
A cidade de Vitória fez sua escolha O poder foi delegado ao delegado Que se juntem agora, então, as várias bolhas Na torcida pra que faça um bom mandato A oposição fará a sua parte Como ele mesmo fez, na Assembleia, Mas que ganhe, sobretudo, a cidade, Com uma união de esforços e ideias
O texto original deste Cordel Político informava, equivocadamente, que Lorenzo Pazolini "estudou no Leonardo", em alusão ao colégio Leonardo da Vinci. Na realidade, ele cursou o ensino básico nos colégios Darwin e Salesiano. Por isso, o 5º verso da 3ª estrofe foi alterado para: "Estudou um bocado". Pelo mesmo motivo, a gravação em áudio do cordel, que continha a informação equivocada, foi suprimida desta publicação.
Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo