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Moro assume pose de candidato à Presidência em visita ao ES

Durante visita a Vitória e Cariacica, ministro fez muitos acenos para apoiadores, com direito a "V de vitória", gesto típico de políticos em campanha

Publicado em 29 de Outubro de 2019 às 17:34

Públicado em 

29 out 2019 às 17:34
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Sergio Moro em sua chegada ao Palácio Anchieta Crédito: Carlos Alberto Silva

Com pose de pré-candidato, muitos acenos para o público e direito até a "V de vitória" formado pelos dedos médio e indicador, um sorridente ministro Sergio Moro foi recebido e celebrado por manifestantes capixabas, aos gritos de "Moro presidente!", ao subir as escadarias de acesso ao Palácio Anchieta.

O ministro está em visita oficial ao Espírito Santo nesta terça-feira (29), para conhecer de perto o programa Estado Presente, do governo estadual, e visitar in loco as ações do seu programa de combate à violência, Em Frente Brasil, em Cariacica.

Por volta das 11 horas, Moro chegou em carro oficial à entrada do Palácio Anchieta, acompanhado pelo governador Renato Casagrande (PSB). Os dois saíram juntos do automóvel, aos pés da escadaria. Foi quando o ministro ouviu os gritos de "Moro presidente!".

Notem bem: ele não ignorou os gritos, não manteve a "austeridade institucional" diante das manifestações, tampouco fez um aceno discreto e apenas cortês, só para agradar ao público que foi ali prestigiá-lo. Nada disso. O que ele deu aos seus apoiadores foi muito mais que um gesto de cortesia.

Moro literalmente parou no meio da escadaria, voltou-se para trás e, assumindo por alguns instantes postura típica de candidato, fez o "V de vitória" para as pessoas.

Foram poucos segundos. Mas guardem essa cena. Poderá fazer muito sentido daqui a menos de três anos.

COMITÊ DE BOAS-VINDAS

Moro veio a Vitória em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), acompanhado pelo senador Marcos do Val (Podemos). No aeroporto de Vitória, o ministro foi recebido por uma comitiva de boas-vindas formada pelo governador Renato Casagrande, pelo prefeito de Cariacica, Juninho (Cidadania), pela vice-governadora Jaqueline Moraes (PSB) e pelo marido de Jaqueline, o ex-vereador de Cariacica Adilson Avelina (Podemos), que é assessor de Marcos do Val no gabinete do senador em Vitória.

COMBOIO

Do aeroporto, eles seguiram em comboio até o Palácio da Fonte Grande, no Centro de Vitória, onde Casagrande e alguns secretários de Estado apresentaram ao ministro a metodologia e os resultados do programa Estado Presente. Nesse primeiro deslocamento, foram juntos, no mesmo carro, Moro, Casagrande e Do Val.

ELOGIOS AO ESTADO PRESENTE

Durante a apresentação do programa estadual, Moro mais ouviu do que falou. Em uma breve manifestação para a equipe de Casagrande, elogiou o programa estadual e afirmou que os números de queda de índices de homicídios provam que o programa (implantado em 2011 e retomado em 2019) tem dado bons resultados.

INSEPARÁVEL

A companhia de Do Val mostra que o senador está muito próximo a Moro não só política como fisicamente. A proximidade com Moro foi inclusive um dos fatores que levou Do Val a trocar, em agosto, o Cidadania pelo Podemos, partido muito mais alinhado no Congresso ao ministro e ao governo Bolsonaro (PSL).

Senador Marcos do Val e ministro Sergio Moro foram recebidos pelo governador Renato Casagrande no aeroporto de Vitória Crédito: Divulgação Secom/Hélio Filho

"UM ALÔ PARA DO VAL"

Durante a coletiva de imprensa, no início de uma resposta sobre o seu pacote anticrime, Moro, espontaneamente, aproveitou para "mandar um cumprimento para o senador Marcos do Val".

DEPENDÊNCIA

Do Val é relator de uma parte do pacote anticrime de Moro. Enfrentando dificuldades para obter a aprovação dos projetos no Congresso, o ministro depende muito, nesse aspecto, do auxílio do senador. A tramitação do pacote está travada e o texto original tem sido desfigurado nas comissões. Sem empenho e engajamento do próprio Bolsonaro na aprovação, o pacote, apresentado no início do ano, não foi tomado em nenhum momento como matéria prioritária nem pelos presidentes da Câmara e do Senado nem pelos articuladores políticos do próprio governo Bolsonaro.

MEMÓRIA FRACA

No meio da resposta a uma pergunta, na qual lhe foi pedido determinado dado, Moro se escusou com o jornalista: "Isso tudo já passou por mim, mas tenho uma péssima memória com números".

UMA PITADA DE PIMENTA

Para jogar pimenta neste caldo: a memória do ministro também já falhou no passado em relação a algumas declarações dele mesmo. Nos anos que antecederam as eleições de 2018, o então juiz declarou publicamente, mais de uma vez, que não tinha a menor intenção de entrar na atividade política. Logo após a vitória eleitoral de Bolsonaro e a convite do então presidente eleito, abandonou a carreira vitalícia na magistratura para se tornar ministro da Justiça e da Segurança Pública. Poderá sempre argumentar que sua missão como ministro é técnica. Mas está colocando seu prestígio e suas ideias a serviço de um projeto político.

"CARINHO É COM O GOVERNO"

Moro, a propósito, literalmente "vestiu a camisa de Bolsonaro" (ambos já vestiram, lado a lado, a camisa do Flamengo, na tribuna de honra do estádio Mané Garrincha). Questionado por um colega sobre as manifestações que recebeu em sua chegada ao Palácio Anchieta, o ministro reputou-a ao "carinho da população", mas fez questão de estender esse carinho a todo o governo representado por ele.

"Isso é o carinho da população. Reflete, a meu ver, também muito o apreço que existe também ao governo do presidente Jair Bolsonaro e esses resultados que nós temos obtido no âmbito da segurança pública. Então esse tipo de manifestação é um apoio ao governo em geral."

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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