Desde a redemocratização do Brasil, o Espírito Santo nunca
havia elegido um candidato declaradamente de direita para governar o Espírito
Santo. Nunca, até o último domingo (25). O tabu histórico foi rompido com a eleição
de Lorenzo Pazolini.
O futuro governador está posicionado no campo da direita
conservadora. O partido dele é o conservador Republicanos. O PL foi o aliado
mais importante na coligação de Pazolini, desde o primeiro turno.
> Clique aqui e receba em primeira mão a Coluna Vitor Vogas pelo Whatsapp
O ex-prefeito de Vitória inclusive apoiou e foi apoiado pelo
senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL derrotado pelo
presidente Lula (PT). No último dia 17, na Praia de Camburi, ao lado do próprio
Flávio num trio elétrico de campanha, Pazolini exaltou “a união da direita”
capixaba.
“Espírito Santo, esta é a direita capixaba unida, junto com
o 22 e com o 10, o melhor para o nosso país e para o nosso estado”, disse
Pazolini, do alto do trio elétrico, ao lado de Flávio, Tarcísio de Freitas (Rep)
e outros políticos aliados, em um vídeo postado por ele que chegou a quase 200
mil curtidas.
Enfim, o governador eleito está situado do lado direito do
mapa político-ideológico. E se declara um homem de direita. Isso, por si, é um
fato inédito.
De 1982, nos estertores da ditadura civil-militar, a 2022,
foram realizadas 11 eleições diretas para governador, com sete governadores
eleitos no Espírito Santo: Gerson Camata (PMDB), Max Mauro (PMDB), Albuíno
Azeredo (PDT), Vitor Buaiz (PT), José Ignácio (PSDB), Paulo Hartung (PSB e
PMDB) e Renato Casagrande (PSB) – os dois últimos, com três mandatos cada um.
Nenhum deles era assumidamente de direita.
O próprio Paulo Hartung foi eleito pelo PSB e depois pelo
MDB. Casagrande é um homem de centro-esquerda e é o líder maior do Partido
Socialista Brasileiro no Espírito Santo. Alguns nomes dessa lista, é claro,
tinham traços de direita em seu perfil e em seu governo. Hartung e Casagrande formaram
amplas coalizões e governaram com forças de direita.
Camata, antes de chegar ao governo, foi filiado à Arena e
tinha características pessoais conservadoras. Mas elegeu-se pelo PMDB, partido
de oposição à ditadura, em uma frente ampla com forças de esquerda.
Quem mais se aproximou da direita, ideologicamente, foi José
Ignácio, que no Senado, por um breve período, no início dos anos 1990, chegou a
ser líder do governo Collor. Mas governou pelo socialdemocrata PSDB. Foi
deputado cassado pela ditadura e opositor do regime como presidente da OAB-ES.
Nenhum deles, enfim, preenchia todas as casinhas de um autêntico
“político de direita”. E, de novo: nenhum deles se dizia de direita. Pazolini
se assume como tal.
Atenção: direita, sim; extrema-direita, não. Mesmo tendo firmado,
estrategicamente, a vitoriosa aliança com o PL para chegar ao Palácio Anchieta,
Pazolini jamais demonstrou traços de um político de extrema-direita, tampouco de
um típico “bolsonarista”.
Durante sua passagem pela Prefeitura de Vitória e mesmo
agora, na campanha ao governo, não fez eco a pautas radicais dessa
extrema-direita derrotada nas urnas no país, no último domingo, com a reeleição
de Lula.
Na capital capixaba, sua administração tampouco foi marcada
por um forte “viés ideológico”.
De todo modo, a “direita declarada” chega agora ao poder no
Espírito Santo, fato inédito em mais de 40 anos de redemocratização.
Fica o registro histórico.
Leia mais colunas de Vitor Vogas