Preso em janeiro de 2018 na Operação Lama Cirúrgica, o enfermeiro Thiago Waiyn foi nomeado nesta sexta-feira (15) pelo prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) para o cargo comissionado de diretor da unidade de saúde Raul Oliveira Neves, em Jardim Camburi, conforme ato publicado no Diário Oficial. Mas, em edição extraordinária do Diário Oficial publicada neste sábado (16), após questionamentos da coluna à Prefeitura de Vitória, o prefeito anulou a nomeação.
O referido servidor chegou a ser preso no dia 16 de janeiro de 2018 na Lama Cirúrgica, operação realizada pelo Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc), vinculado à Polícia Civil, sob suspeita de participação em esquema de adulteração de materiais cirúrgicos para obtenção de lucro. A operação investigou os crimes de lavagem de dinheiro, formação de organização criminosa, estelionato, falsidade ideológica e adulteração de produtos medicinais.
No sistema de consulta processual do Tribunal de Justiça do Estado, o nome de Thiago Waiyn não consta como réu em nenhum processo. Na verdade, o nome do servidor só consta como testemunha, no processo criminal relacionado à Lama Cirúrgica, o qual corre em uma vara criminal do município da Serra.
De todo modo, como ele chegou a ser preso em um caso recente de ampla repercussão, por suposto envolvimento em um esquema grave investigado pelo Nuroc, entramos em contato com a assessoria da Prefeitura de Vitória, no início da tarde deste sábado, perguntando quais foram os critérios que determinaram a nomeação e se esta poderia ser revista pela prefeitura.
Em resposta, por volta das 15h15, a assessoria nos informou que a nomeação seria tornada sem efeito, em edição extraordinária do Diário Oficial publicada neste sábado, o que de fato ocorreu. A assessoria destacou, porém, que Waiyn nem sequer foi indiciado pela Polícia Civil, após ter sido interrogado, no curso das investigações da Lama Cirúrgica.
Para comprovar que o enfermeiro não possui antecedentes criminais, a assessoria também enviou à coluna as certidões negativas apresentadas por ele para poder ser nomeado, além do atestado de bons antecedentes.
Segue a nota completa da Prefeitura de Vitória:
O ato de nomeação de Thiago Waiyn foi tornado sem efeito conforme edição extraordinária do Diário Oficial, que circulará ainda neste sábado, 16/01/2021.
A Prefeitura de Vitória destaca que, para ser nomeado, Thiago Waiyn precisou apresentar várias certidões, entre elas atestado de antecedentes criminais e certidões negativas de 1º e 2º graus das justiças estadual e federal, comprovando assim que não responde a qualquer processo.
Vale ressaltar que o prefeito Lorenzo Pazolini fez um decreto na última semana determinando que todos os servidores comissionados apresentem atestados de antecedentes criminais e certidões negativas estadual e federal ao longo do mês de janeiro.
Waiyn estava trabalhando em uma unidade de saúde em Viana, tendo sido aprovado em processo seletivo, onde teve que apresentar também diversas certidões negativas e possui um currículo técnico.
Thiago Waiyn na época foi investigado e chamado para interrogatório, onde foi questionado dos fatos e disse não ter conhecimento dos crimes cometidos pelos médicos investigados. Ao final do inquérito, o próprio delegado identificou que Thiago não tinha qualquer participação no esquema investigado. Tanto que Thiago não foi sequer indiciado.
A LAMA CIRÚRGICA
De acordo com reportagem publicada por A Gazeta em 16 de janeiro de 2018, Waiyn foi preso pela Polícia Civil ao lado de dois empresários no mesmo dia, sob a suspeita de adulterar produtos cirúrgicos para obter mais lucro. Batizada de "Lama Cirúrgica", a operação comandada pelo Nuroc se deu em Vitória e na Serra. Conforme os policiais informaram no dia da operação, o trio teria reutilizado 2.536 vezes produtos descartáveis em um hospital particular da Serra.
De acordo com a polícia, os produtos eram reprocessados ilicitamente e utilizados em procedimentos cirúrgicos na área ortopédica em hospitais privados, causando potencial dano à saúde de usuários e da coletividade. A reutilização de produtos descartáveis é proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O Nuroc chegou até os três após receber uma denúncia anônima. Waiyn e os empresários Gustavo Deriz Chagas e Marcos Roberto Krohling Stein (proprietários da Golden Hospitalar) foram presos na operação, sob a suspeita de lavagem de dinheiro, formação de organização criminosa, estelionato, falsidade ideológica e adulteração de produtos medicinais.
As investigações tiveram início em outubro de 2017, depois que uma operação do Nuroc e da Vigilância Sanitária apreendeu produtos médicos e etiquetas adulteradas. O avanço das investigações revelou adulteração de códigos de registro, número do lote, data de fabricação e validade do produto em produtos e etiquetas apreendidos no Golden Hospitalar e no centro cirúrgico de um hospital da Serra.