Com o cargo assumido por ele em novembro de 2019, o comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel Márcio Sartório, assumiu também uma missão: fazer a mediação entre a cúpula do governo Casagrande e as tropas, que reivindicam aumento salarial. Nesta conversa exclusiva com a coluna, Sartório defende que os integrantes da PMES recebam de fato, em 2020, uma recomposição salarial “diferenciada” em relação a outras categorias do Estado, conforme o governador Renato Casagrande (PSB) indicou, em entrevista ao podcast “Papo de Colunista” publicada em 19 de dezembro. “O governador quer fazer justiça”, afirma o comandante-geral.
Segundo Sartório, esse reajuste num percentual diferenciado deve valer não só para os praças da PMES como também para os oficiais. “A questão não é só o soldado. Os salários da Polícia Militar do Espírito Santo como um todo, de todos os postos e graduações, estão muito abaixo da média nacional.” O comandante-geral, inclusive, demonstra preocupação especial em não distinguir os membros da corporação de acordo com a patente e em apresentar uma força policial unida:
“Há quem diga que ‘os oficiais são uma casta diferente’. Não, não são. São planejadores e são executores, até porque nós participamos de policiamento, de operações policiais. E não existe uma cisão dentro da PM.”
Sartório defende que a valorização salarial é importante para aumentar a motivação dos policiais em atividade, até por conta da defasagem de efetivo - segundo ele, atualmente, faltam cerca de 2,5 mil policiais. “A gente tem que aumentar a motivação do policial, para continuar dando os excelentes resultados que tivemos em 2019 e nos anos anteriores.”
Não só por isso, mas também para que não tenhamos, nas palavras dele, “tragédias como tivemos em 2017”. Aliás, será que o comandante enxerga algum risco de repetição da greve de fevereiro daquele ano? “Não, neste momento não, até pela sensibilidade do governo Renato Casagrande em ouvir as categorias”, refuta Sartório.
Confira, abaixo, a entrevista na íntegra: