É fato seguro: o deputado federal Amaro Neto (Republicanos) juntou a papelada necessária e pediu à sua assessoria para se informar com a Justiça Eleitoral a respeito do procedimento correto para transferência de domicílio eleitoral nestes dias de atendimento limitado por conta da pandemia do novo coronavírus. Amaro, no momento, mantém seu título eleitoral em Vitória, com local de votação em um colégio de Bento Ferreira. Mas a sondagem foi feita com vistas a uma possível transferência do título para a 53ª Zona Eleitoral do Espírito Santo: o município da Serra.
A pedido de Amaro, um assessor do deputado chegou a mandar um e-mail, nesta semana, para o cartório eleitoral da Serra, buscando informações acerca do procedimento. Devido às restrições de locomoção necessárias a fim de se conter a expansão da Covid-19, a Justiça Eleitoral restringiu o atendimento dos cartórios ao público.
Quando a sondagem ao cartório da Serra foi feita pelo intermediário de Amaro, a expectativa era que fosse necessário um agendamento online para o deputado comparecer em pessoa ao cartório, nos próximos dias, em data e horário pré-agendados. No entanto, a partir de nova resolução do TRE, todos os procedimentos, inclusive o de mudança de domicílio eleitoral, estão sendo realizados exclusivamente por meio eletrônico.
Assim, para consumar a transferência, basta que Amaro, por meio de sua assessoria, envie um novo e-mail para o cartório eleitoral da Serra, com todos os documentos necessários, inclusive um comprovante de residência ou vínculo com o município. Como Amaro moro em Vitória, o documento juntado é a escritura, em seu nome, de um imóvel comercial que ele possui no bairro Laranjeiras.
Amaro, no entanto, ainda não consumou a operação, pois ainda não fechou inteiramente a sua decisão. Neste sábado, inclusive, ele tem reunião para tratar de seu caminho eleitoral com seus dois principais aliados no jogo político do Espírito Santo: o presidente e o diretor-geral da Assembleia Legislativa, respectivamente Erick Musso e Roberto Carneiro. Ambos, como Amaro, são do partido Republicanos, sendo Carneiro o presidente da sigla no Espírito Santo. Ou seja, Amaro ainda pode mudar de ideia.
Caso o deputado concretize a transferência do domicílio para a Serra, uma certeza se terá: ele não poderá mais ser candidato a prefeito de Vitória na eleição municipal de outubro. Se for candidato a prefeito, só poderá concorrer na Serra, à sucessão de Audifax Barcelos.
Mas a eventual transferência do título tampouco significa certeza de candidatura. O deputado pode perfeitamente passar o seu título para a Serra, mas acabar decidindo não disputar a eleição. De todo modo, se isso ocorrer, o cenário eleitoral em Vitória ficará desanuviado.
NOVO TEMPLO DOS BOLSONAROS
Antigo Partido Republicano Brasileiro (PRB), o Republicanos é o partido do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, da Igreja Universal do Reino de Deus e, agora, também do clã Bolsonaro, com as recentes filiações dos filhos 01 e 02 do presidente da Repúlica, Flávio e Carlos Bolsonaro, respectivamente. Assim, o partido de Amaro se tonou a nova casa (ou albergue, passageiro) do bolsonarismo no Brasil, enquanto o Aliança pelo Brasil não sai do papel.
MAJESKI, ATÉ AGORA, NADA
Aparentemente, o deputado estadual Sergio Majeski está hesitando. Pré-candidato declarado a prefeito de Vitória, o deputado disse que só se filiaria a outro partido quando recebesse, da Justiça Eleitoral, a garantia de poder se desfiliar do PSB sem risco de perder o mandato na Assembleia Legislativa. Após receber o sinal verde do PSB, ele disse que acionaria o TRE para obter o reconhecimento. Mas, até esta sexta-feira (28), a Corte Eleitoral não havia recebido nada de Majeski.
CORRE, DEPUTADO!
Para se habilitar a disputar a eleição por outra sigla, ele precisa estar filiado até 4 de abril. Senão, ou fica mesmo no PSB, ou até troca de legenda após 4 de abril, mas nesse caso não poderá ser candidato na próxima eleição municipal.
Devido às restrições ocasionadas pela pandemia, o TRE realizará sessões plenárias virtuais na semana que vem. Há uma marcada para segunda-feira (30), com pauta já definida (nenhum processo relativo a Majeski), e outra para o dia seguinte.
O QUE LHE RESTARÁ...
Já tem quem aposte, exatamente, que Majeski fica mesmo no PSB, ou sai para outra sigla após o prazo, não se candidata a prefeito e apoia o vereador Roberto Martins, hoje pré-candidato a prefeito de Vitória pela Rede.
ETHEL CONVIDADA PARA A REDE
Por falar em Roberto Martins, ele voltou a convidar, na última terça-feira (24), a professora Ethel Maciel para se filiar à Rede. Segundo ele, Ethel ficou de pensar. Apesar de ter sido a candidata à reitoria da Ufes mais votada pela comunidade acadêmica, Ethel não foi a indicada para o posto pelo presidente Jair Bolsonaro, que escolheu o segundo da lista: o professor Paulo Sérgio Vargas.
ASSUMÇÃO PODE IR PARA O PARTIDO DE INIMIGOS DE BOLSONARO
Também pré-candidato assumido à Prefeitura de Vitória, o deputado estadual Capitão Assumção revelou à coluna que recebeu convite para se filiar e se lançar pelo DEM. Está entre essa opção, o Patriota e o PRTB.
Se aceitar o convite do DEM, algo curiosíssimo vai se dar: Assumção, aliado de Bolsonaro, engrossará as fileiras dos presidentes da Câmara Federal, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, tratados como inimigos por Bolsonaro.
SE BEM QUE...
Mas, pensando, se for esse o critério: onde é que Bolsonaro não possui inimigos (reais ou imaginários)?
“FECHAMENTO DO CONGRESSO”
Vale lembrar que Assumção já fez postagem em suas redes sociais defendendo um “novo AI-5” – para bom entendedor, o fechamento do Congresso Nacional, hoje dirigido por potenciais futuros correligionários dele.