Inicio o artigo desta quinta-feira (2), com a pergunta de um iconhense, na noite de 30 de novembro, 20h30, quando vídeos começam a chegar, áudios se espalharam, e sinos começaram a tocar anunciando: tem uma nova enchente chegando. O pânico começou a se instalar, as famílias começaram a buscar abrigo. Na memória, a ressurreição de fatos e experiências de quem viveu na carne o cenário de guerra de 17 de janeiro de 2020. A noite da última terça-feira (30) foi mais uma vez caótica para o povo de Iconha. Até quando?
Todos os dias estamos vendo o clima, a sustentabilidade, as catástrofes nas pautas dos jornais. Todos os dias também vemos pessoas alheias e avessas a tais questões mesmo diante de uma natureza que vem dando sinais de estarrecimento. Por outro lado, temos uma letargia, uma quase inércia diante do drama por parte de quem nos governa.
Iconha está completando 1 ano e 11 meses do drama das cheias que arrasaram a cidade. A partir desse evento, o povo passou a conviver com um rio assoreado, que em alguns pontos se nivela a ruas, algo que antes não se via, por exemplo. Logo, insurge a necessidade urgente, gritante, para ontem, de um projeto eficaz de desassoreamento, de planejamento, drenagem que tem tudo para aliviar o pavor diante de chuvas como a da última terça (30). Mas, até o momento, o silêncio. Até quando?
No início do ano, líderes do serviço público local apresentaram a pauta de urgência ao governo do Estado. Datas foram desenhadas: outubro, abril, novembro, mas até agora... Diante de tudo e de todos fica nítido o tamanho ou em que grau está a prioridade dessa demanda por parte de quem nos governa. Enquanto isso, o povo vive e convive com a pressão, o fatídico da inércia de lideranças.
É dezembro de novo. Tempo de cheias, de chuvas, de temporais, de cenários de desastres e de fenômenos naturais. Mais uma vez, estamos recebendo alertas e alertas, e o que deveria estar pronto (ou em processo), nem sequer começou. Tudo indica que o verão dos iconhenses pode ser uma vez mais intempestivo. No próximo ano, eleições, promessas. E o povo?
E o povo cultiva a esperança de dias melhores, com menos pavor e com políticas públicas coerentes, coesas. “Um cidadão iconhense (autor da pergunta que intitula esse artigo) dizia, debaixo de um guarda-chuva, vendo a correnteza: tantos mil reais (quase milhões) foram utilizados em nossa cidade neste Natal, e o que precisa ser feito, cadê? ”
O povo precisa de Natal, precisa de luz, precisa de sonho, precisa de cultura, precisa de alegria, tanto quanto precisa do básico, do urgente, do essencial. Tão belo como ver as luzes de Natal brilharem na cidade é ver os olhos das pessoas brilharem com projetos, com políticas públicas coerentes e coesas, que asseguram e promovem a vida. O que esperar? Esperar vem de esperança. Esperança é aquilo que alimenta muitos iconhenses em dias como esses!