Era uma sexta-feira quando o Almirante Antônio Barra Torres apresentou a BolsonaroAlmirante Antônio Barra Torres apresentou a Bolsonaro a seringa que continha cinco doses: de sensatez, moral, ética, sensibilidade e humildade. Eu me refiro à carta veiculada pelo respectivo presidente da Anvisa. Nela, Torres pede a Bolsonaro uma retração da sua conduta exercendo a sua grandeza para se retratar das acusações que vem fazendo à Agência de Vigilância Sanitária do Brasil.
Não é novidade que o presidente vem proliferando o vírus da imoralidade e da ignorância à ciência e todos que dela fazem parte. Por último, dedicava frases de insultos – como “tarados por vacina”, se referindo aos funcionários da Anvisa. É quase inconcebível ouvir palavras como essa no contexto que vivemos de uma pandemia vicejante e por outro lado uma epidemia de influenza que atinge uma parcela expressiva de pessoas no nosso país.
A pergunta que muitas vezes nos fazemos é esta: o que passa pela cabeça de Bolsonaro? Aliás, passa pela cabeça? O que se nota é que o lugar por onde seu discurso passa é pelo ninho dos interesses e convicções de seus financiadores. O grupo para quem Bolsonaro governa milita pelo autoritarismo e razão. Aqui se lê autoritarismo religioso, político, militar, econômico, etc.
Eu já trazia, no patamar da opinião, alguns dias atrás, que Bolsonaro não governa para a maioria. Desde as eleições, isso foi ficando claro na mesma medida que ele foi se isolando do cenário político e social do Brasil. Seus números de aprovação provam e comprovam essa “teoria” ou melhor, realidade. Embora a gente creia que os evangélicos estão todos com Bolsonaro, que os militares, que o mercado, que não sei mais quem está com ele, calma, é só impressão do jogo. A torcida dele parece não ser a maior, apenas a mais barulhenta. Isso é tão verdade que é só a gente olhar de quem veio a “vacina de sensatez”. Quem é Antônio Barra Torres? Almirante da Marinha. Ora, pertence ao conglomerado militar. Isso quer dizer muito. Nem todos os quepes estão sob cabeças que pensam e agem da mesma forma.
A vacina da Anvisa dada a Bolsonaro foi uma das melhores. Nosso presidente precisa de outras de mesma eficácia. Talvez a mais eficaz seja a que os brasileiros devem dar a ele no próximo mês de outubro. Todavia, precisamos pensar que Bolsonaro não age sozinho, sua minoria também tem poder de contaminar. Vejamos as últimas eleições que o elegeram. Cabe a nós também nos imunizarmos para que construamos anticorpos capazes de reagirem e neutralizarem o vírus que pode aparecer e provocar uma nova pandemia nos próximos meses de agosto, setembro e outubro.
Quanto à Anvisa, que continue a nos vacinar de muitos vírus, inclusive os oriundos do grupo do bolsonarismo.