Já ficou bastante claro como que a pandemia escancarou a desigualdade social e, eu diria, racial. Tive uma professora de administração muito fera em conhecimentos gerais que dizia: “Não temos desigualdade social, temos desigualdade de oportunidades”.
A frase dela é muito estratégica e tática para o momento que estamos vivendo, visto que, quando faltam oportunidades, o desequilíbrio horrendo entre as classes impera – uns mais privilegiados do que outros, e por aí segue. Esta semana, vi uma matéria que chama a atenção quando diz que negros ainda são minorias nas peças publicitárias. Que coisa!
O fato é tão palpável, que recentemente criei uma campanha publicitária para rede social de um dentista que tinha como objetivo divulgar serviços de harmonização facial. Bom, fui até o banco de imagens, baixei uma imagem de uma negra, com pele bela, um sorriso no rosto e uma expressão díspar. Mas parece que o envolvimento com a campanha fracassou. Os seguidores não se identificaram com a negra. Seria só pela cor?! É triste dizer que depois que usamos a imagem de uma branca, loira e de olhos claros, atraiu muito mais likes, alcance e impressões.
O site "Meio Mensagem" explicitou a minha dramática experiência em números palpáveis, esta semana, parafraseando uma pesquisa da segunda edição do estudo sobre a diversidade na publicidade brasileira, realizado pela Elife e pela agência SA365 por meio da plataforma de gestão de social media Buzzmonitor.
O estudo apontou uma desigualdade também no protagonismo de pessoas brancas em peças publicitárias nas redes sociais. Segundo a pesquisa, que analisou 5.261 posts no Facebook e no Instagram feitos por 20 dos principais anunciantes brasileiros entre janeiro e dezembro de 2019, os brancos estão presentes em 87% das publicações de marcas no período, contra 34% de negros (o levantamento levou em conta a presença de ambas as raças simultaneamente em parte dos casos).
É notório que as peças publicitárias externadas nas mídias e nas redes são pura expressão do que mora dentro da gente mesmo. Ainda não aprendemos a lidar com as diferenças. Ainda tratamos o outro com indiferença patológica. O triste é que, a cada ano, a cada século, parece que a humanidade regride no quesito “lidar com as diferenças”.
Repugnamos o diferente como autor ou protagonista de uma história. Enquanto a negra não deixar de ser a faxineira da casa da protagonista da novela; enquanto o negro não for apresentado no jornal apenas como bandido não venceremos o drama doentio da desigualdade racial.
A mudança está na mente criativa dos publicitários e na educação efetiva das famílias. A profissão da faxineira (não é melhor ou pior do que qualquer outra profissão) e o estereótipo do bandido não são uma competência ou característica de negro; há uma enfermidade que precisa ser curada dentro das nossas consciências.