O veterinário Thiago Oliveira do Nascimento foi condenado na tarde desta-sexta-feira (26) a uma pena de 17 anos a ser cumprida em regime fechado pelo assassinato de um morador de rua em Vila Velha. O júri popular decidiu ainda pela absolvição da dentista Gabriella Anacleto Kiefer das acusações.
Foram dois dias de julgamento. Logo após a sessão a defesa de Thiago comunicou que irá recorrer contra a condenação por homicídio qualificado, por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. "Entendemos que o acervo probatório constante dos autos demonstra que os fatos ocorreram em contexto de legítima defesa", explicam os advogados em nota que pode ser lida na íntegra no final deste texto.
Os advogados de Gabriela, Marcos Daniel Vasconcelos Coutinho e Ricardo Luiz de Oliveira Rocha Filho, assinalaram que a decisão foi justa.
“Ela estava presa há um ano e meio de maneira injusta. Nestes dois dias apresentamos aos jurados o depoimento das testemunhas que puderam falar sobre a sua inocência e provas técnicas que comprovam que ela não participou do crime. E o Conselho de Sentença entendeu por absolvê-la, cessando a injustiça”, pontuaram.
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O crime
A vítima, um homem até hoje não identificado, tinha invadido a clínica de Gabriella, em Itapoã, Vila Velha. No local, foi alvo de um disparo e, em seguida, foi amarrada, colocada a bordo de um carro e levada para um loteamento às margens da Rua Rio Doce, em Vale Encantado. Posteriormente, foi espancada, teve pernas e mãos quebradas, e morta com tiros nas costas e na cabeça, segundo denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES).
O crime aconteceu em 29 de agosto de 2021, mas a investigação permaneceu estagnada por mais de dois anos, avançando apenas em janeiro de 2024, quando a arma, uma pistola, foi apreendida com Thiago durante a Operação Criptovet, realizada pelo MP, por intermédio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco-Central). Trata-se da investigação de chantagem praticada contra um milionário indiano.
Laudos de confronto balístico confirmaram que os projéteis retirados do corpo da vítima saíram da arma localizada com Thiago. Ele confessou o homicídio, alegando legítima defesa.
Nota da defesa na íntegra
A Defesa de Thiago Oliveira do Nascimento informa que irá recorrer da decisão proferida pelo Tribunal do Júri, por entender que o acervo probatório constante dos autos demonstra que os fatos ocorreram em contexto de legítima defesa.
A própria votação dos jurados, que não se deu de forma unânime, evidencia a existência de divergência relevante quanto à tese acusatória, razão pela qual a matéria será submetida à apreciação do Tribunal competente.
Quanto à pena aplicada, a Defesa registra que a dosimetria observou os parâmetros da legislação vigente e encontra respaldo na orientação dos Tribunais Superiores.
A Defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário e seguirá atuando tecnicamente, nos limites legais, para a revisão da decisão.
Jhonathan Ebani
Zadir Nascimento
Carlos Eduardo Sandes