O depoimento de quatro psiquiatras na tarde desta quinta-feira (17) encerrou o primeiro dia de julgamento de Matheus Stein. Ele é acusado de matar a namorada, Ana Carolina Rocha Kurth, de 24 anos, com mais de 40 golpes de faca. O crime aconteceu em maio de 2023, no apartamento em que o casal morava, no Centro de Vitória.
Três dos profissionais foram responsáveis pelas perícias anexadas ao processo, que apontaram que Matheus, hoje com 28 anos, apresenta doença mental associada ao uso de múltiplas drogas, o que o tornava parcialmente capaz de entender os fatos, mas incapaz de se autodeterminar, de tomar as próprias decisões ou controlar a sua vontade.
“Ainda que saiba que é errado matar, o pensamento psicótico influenciou a tomada de decisão dele, que ficou comprometida”, disse a médica Fernanda Baldo Gomes.
No caso de Matheus, segundo os laudos, em meio a um delírio de ciúmes e perseguição, ele matou a namorada.
De acordo com a psiquiatra Thaís Pereira Martins, os delírios levam a uma convicção que não tem como ser removida por qualquer argumentação lógica. Segundo ela, esse quadro pode preservar outras capacidades e não impedir que a pessoa continue funcional em determinadas situações.
A médica se referiu ao comportamento de Matheus após o crime. Conforme consta no processo, ele tomou banho no apartamento, conversou com um morador do prédio no elevador, comprou uma passagem e viajou para Conceição da Barra.
Em outubro de 2024, uma decisão da 1ª Vara Criminal de Vitória, responsável pelo Tribunal do Júri da Capital, recusou os laudos citados acima. Na ocasião, a Justiça apontou que os especialistas teriam baseado suas conclusões somente nas alegações do réu para afirmar a dependência, o que permitiu a continuidade do processo.
Agora, os jurados, após ouvirem os depoimentos, terão que decidir sobre o futuro de Matheus, que preferiu ficar em silêncio durante o seu interrogatório.
Para o advogado do jovem, Homero Mafra, os laudos deixaram clara a condição do seu cliente. "Os jurados vão ter que analisar uma questão técnica. Ficou claro para todos que ele tem uma doença mental", assinalou.
“Revoltante”, diz família
Para o promotor Rodrigo Monteiro, os relatos dos médicos e os laudos não são convincentes de que o réu era incapaz.
“Vamos mostrar aos jurados nos debates que Matheus era totalmente capaz de entender os seus atos, que resultaram no assassinato de Ana. E temos convicção de que ele será condenado.”
Para a irmã da vítima, Paola Rocha, a situação descrita é “revoltante”. “É difícil de entender e de aceitar. Minha irmã foi vítima de um crime brutal, mas há outra vítima. Uma ex-namorada relatou o que vivenciou com ele e que até hoje tem medo do que pode acontecer a ela.”