A defesa de Bruna Garcia Barbosa Marinho solicitou ao Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) acesso ao prontuário de internação do médico de 90 anos que foi envenenado com arsênio. A mulher é acusada pelo crime e vai a júri popular no próximo dia 26, em Vitória.
O argumento é o de que o médico foi internado com sintomas semelhantes aos do envenenamento e de que o fato teria ocorrido dois anos antes da mulher ter comprado o arsênio. “Avaliamos que o prontuário hospitalar poderá trazer mais informações sobre o que ocorreu naquele período. Interpus um Habeas Corpus pedindo que o documento fosse solicitado ao hospital e ele deve ser julgado até quarta (7)”, relata o advogado Jorge Florentino, responsável pela defesa de Bruna.
Pedido semelhante já havia sido feito ao Juízo da 1ª Vara Criminal, responsável pelo Tribunal do Júri, mas foi indeferido. Na decisão foi apontada uma tentativa da defesa de mudar as discussões do processo que serão levadas a júri e de citar pessoas que não fazem parte da ação, se referindo à esposa da vítima.
Em decisão foi dito que a legislação resguarda a dignidade das partes, das testemunhas e das vítimas, “vedando desvios do foco do julgamento perante o Conselho de Sentença com investigações indevidas sem suporte probatório idôneo constituído”.
O pedido do advogado acompanha o depoimento da ré, que em depoimento à Justiça disse que teria sido vítima de uma armação arquitetada pela esposa do médico. Disse ainda que a compra do arsênio teria o objetivo de matar ratos e que o fez a pedido da esposa do médico, a quem entregou o produto.
Justificou o recebimento de recursos em suas contas como gratificações voluntárias do médico, que a teria beneficiado com empréstimos e doações para viagens em razão de sua dedicação integral. Além disso, negou qualquer desvio fraudulento, afirmando que o “Dr. Vitor sabia de tudo o que eu fazia".
O júri
Bruna era funcionária da clínica de cardiologia, pertencente ao médico Victor Murad, localizada na Praia do Canto, em Vitória, que foi fechada em novembro do ano passado. Ela foi denunciada por tentativa de homicídio com as seguintes qualificações, segundo a sentença que a encaminhou a julgamento:
Motivo torpe - “A conduta da denunciada teria sido impulsionada por sentimento vil e repugnante, decorrente de ganância e de autopreservação ilícita”
Emprego de veneno - “Por meio da utilização de substância tóxica (óxido de arsênio III)”
Sem defesa - “O crime teria sido praticado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, uma vez que a denunciada, valeu-se de relação de confiança que mantinha com o ofendido para ministrar o veneno de forma gradual, impedindo a percepção, reação ou defesa por parte da vítima”
Impunidade - “O crime foi praticado para assegurar a impunidade em crimes patrimoniais e a vantagem econômica deles decorrentes”
Idoso - “O crime teria sido praticado contra pessoa maior de 60 anos à época dos fatos”
A sessão do júri foi designada para às 9 horas do dia 26 de outubro, no Fórum Criminal da Capital.
O crime e outro processo
O caso foi descoberto em março do ano passado, quando o médico e a esposa desconfiaram que uma funcionária estaria desviando recursos da clínica, onde Bruna trabalhou por cerca de 12 anos. Ela exercia função de confiança, controlando o setor financeiro, e seria a pessoa responsável pela rotina alimentar do médico.
Segundo as investigações, o envenenamento teria sido feito para mascarar o desvio, estimado em R$ 600 mil a R$ 1 milhão, direcionado para a conta pessoal dela. Situação que resultou em outro processo que tramita na área cível.
Ela foi presa e denunciada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES). No final do mês de outubro do ano passado o Juízo da 1ª Vara Criminal de Vitória aceitou a denúncia contra a mulher, o que a tornou ré em uma ação penal.
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