Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Decisão

DPVAT suspenso: Justiça obriga Caixa a pagar indenização à família do ES

Família perdeu filha de 16 anos atropelada e morta por um motorista de caminhão e teve a solicitação de pagamento do seguro do DPVAT negada pela Caixa

Publicado em 29 de Abril de 2024 às 03:50

Públicado em 

29 abr 2024 às 03:50
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

Judiciário
Judiciário Crédito: Arte - Geraldo Neto
Uma família da Serra, cuja filha de 16 anos foi atropelada e morta por um motorista de caminhão, conquistou na Justiça Federal o direito de receber a indenização do DPVAT. O pagamento do seguro foi suspenso desde o final do ano passado, deixando inúmeras vítimas ou familiares sem a compensação pelas perdas, por falta de recursos no fundo administrado pela Caixa.
Este foi o argumento utilizado pela instituição financeira, segundo a sentença da 1ª Vara Federal da Serra. “A Caixa alega em sua contestação que o saldo remanescente para as indenizações tornou-se insuficiente para pagamento dos pedidos referentes aos acidentes que ocorreram a partir de 15.11.2023, razão pela qual não está recebendo novas solicitações de pagamento do seguro DPVAT”.
Na avaliação da Justiça, a insuficiência de saldo para pagamento do seguro não pode prejudicar o acidentado (segurado) ou a sua família. “Nesse caso, deverá a Caixa, enquanto responsável legal pelo DPVAT, efetuar o pagamento do seguro, caso em que o equacionamento desta questão financeira deve ser resolvida entre a empresa pública federal e a pessoa jurídica de direito público interno (União Federal)”, é dito na sentença
A família da jovem foi autorizada a receber R$ 13,5 mil, valor máximo da indenização, com as atualizações monetárias, parte do cálculo feito desde a data do acidente.
“O que eles estão vivendo é uma situação absurda. É a revitimização. A pessoa é vítima de um acidente de trânsito e perde um ente querido, recorre ao Estado e é vítima do próprio Estado”, observa o advogado Fábio Marçal, que representa a família.

Morte

Em 16 de janeiro deste ano, Karen Moreira Barbosa morreu ao ser atingida por um caminhão, no bairro Castelândia, na Serra. A jovem caminhava com a mãe na ciclofaixa, no sentido Jacaraípe, quando o veículo invadiu o canteiro central e atropelou a adolescente.
Karen foi socorrida ainda consciente, conseguiu se despedir da família dizendo que amava o pai e a mãe. Morreu na manhã do dia seguinte após uma noite na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo). O motorista foi indiciado por homicídio, e em decisão mais recente o processo foi encaminhado para a Vara do Tribunal do Júri, mas ainda não houve denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES).
Os pais solicitaram à Caixa o pagamento do DPVAT pela morte da filha, mas não conseguiram nem mesmo efetuar o requerimento. “A eles foi informado que não havia autorização para receber pedidos de pagamento do seguro por acidentes ocorridos em 2024”, explica o advogado. 
Em seu site, a Caixa informa que até janeiro de 2022 recebeu um aporte financeiro superior a R$ 4,2 bilhões e que foi consumido com o pagamento das indenizações. E acrescenta que somente aceitará “pedidos de indenização DPVAT referentes a acidentes ocorridos entre 01 de janeiro de 2021 e 14 de novembro de 2023”. Após esta data, explica o advogado, os acidentados ou suas famílias não possuem outra alternativa a não ser recorrer à Justiça.
“Milhares de pessoas sem receber o seguro. Imagina uma família que vive com salário mínimo e que depende do pai, por exemplo, que se acidenta e fica sem poder trabalhar. E agora, sem dinheiro, vai precisar recorrer à Justiça por um direito que era obtido de forma administrativa, em um aplicativo da Caixa, mas que foi suspenso”, observa Marçal.

Novo DPVAT

No dia 9 de abril, a Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei para a nova modalidade de indenização em casos de acidentes, agora com o nome de Seguro Obrigatório para Proteção de Vítimas de Acidentes de Trânsito (SPVAT), o que retornará com a cobrança para todos os proprietários de veículos automotores. Ela tinha sido extinta em 2019.
Os recursos continuarão sendo administrados pela Caixa. E vão ser destinados a pagar indenizações por morte; invalidez permanente, total ou parcial; e reembolso de despesas com assistências médicas, serviços funerários e reabilitação profissional das vítimas.
O projeto seguiu para o Senado. Mas sua análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) foi suspensa na última quarta-feira (24).

Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem BBC Brasil
Um mês de aluguel no ingresso, R$ 80 por uma cerveja: quanto torcedores estão pagando para estar na Copa
Operação “Cinturão Sul” cumpre mais de 40 mandados na Região Sul do ES
Megaoperação da Polícia Civil mira criminosos em 19 cidades do Sul do ES
O senador Jaques Wagner (PT-BA) atua como líder do governo Lula no Senado
Caso Master: PF cumpre buscas contra Jaques Wagner, líder do governo no Senado

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados