No primeiro semestre de 2026, a BR 101, a principal rodovia federal em solo capixaba, registrou uma queda de 15,8% no número de acidentes, diminuindo de 1.994 ocorrências em 2025 para 1.678 no período. O número de mortes também acompanhou a tendência de baixa, com uma redução de 9,5%, totalizando 57 vítimas fatais contra 63 no ano anterior.
O levantamento realizado pela Ecovias Capixaba, concessionária que administra a via, traz um alerta: 44% das mortes registradas no período analisado envolveram motociclistas ou ocupantes de motocicletas.
Esse cenário se contrapõe à realidade do conjunto das vias do Espírito Santo, onde, desde 2024, o trânsito mata mais do que a criminalidade. De 1º de janeiro a 30 de junho, por exemplo, foram contabilizadas 496 vítimas fatais em acidentes de trânsito em todo o Estado. O número é bem superior aos 343 homicídios dolosos registrados no mesmo período, conforme dados do Observatório da Segurança Pública.
O perfil dos acidentes na rodovia
O levantamento da concessionária também revela uma queda no número de feridos na BR 101, que passou de 1.178 em 2025 para 961 em 2026 (recuo de 18,4%). Entre as vítimas fatais, o perfil aponta que 82% eram homens.
No topo do ranking das ocorrências mais frequentes está a colisão traseira. Apesar da liderança, esse tipo de acidente apresentou queda de 21,5%, passando de 489 para 384 registros. No total, oito das dez principais naturezas de sinistros mapeadas pela concessionária registraram redução na comparação anual.
Quando analisados os acidentes que resultaram em mortes, os atropelamentos de pedestres e as colisões frontais aparecem como as principais causas, com 11 óbitos cada. Em seguida estão as colisões laterais (7), colisões traseiras (7), choque contra objeto fixo (5), colisão transversal (3) e queda de moto (3).
O monitoramento detalha ainda o perfil dos veículos envolvidos nas fatalidades:
44% das mortes envolveram motociclistas ou pessoas na garupa
37% das vítimas estavam em carros ou caminhões
19% eram pedestres ou ciclistas
O relatório aponta ainda que 47% dos acidentes letais ocorreram em pistas duplicadas e que 26% das vítimas fatais não utilizavam o cinto de segurança no momento da batida.
No mesmo período, o Estado contabilizou 22.287 acidentes, cerca de 6% a menos do que nos primeiros seis meses de 2025, com 23.806 casos, segundo dados do Observatório do Trânsito.
Dos óbitos ocorridos no trânsito capixaba, 25,6% aconteceram em vias federais, o que equivale a 126 mortes; desse subtotal, 57 mortes foram na na BR 101, de onde se conclui que as 69 restante foram distribuídas em outras rodovias federais, como a BR 259 e a BR 262.
Investimentos e operação
Em nota, a concessionária atribui a redução dos índices na BR 101 a um conjunto de obras e serviços operacionais ao longo da rodovia. No período, foram realizados mais de 37,7 mil atendimentos, incluindo socorro médico e mecânico
No campo da infraestrutura, as obras de duplicação avançaram: o trecho entre Serra e Fundão atingiu 36% de execução, enquanto o segmento entre Iconha e Anchieta chegou a 26%. Outros trechos em obras também apresentaram evolução durante o semestre, entre Rio Novo do Sul, Itapemirim, Cachoeiro de Itapemirim e Atílio Vivácqua (6,7%), Ibiraçu e João Neiva (6,4%) e entre Iconha e Rio Novo do Sul (4,7%).
Houve ainda a revitalização de 481 km de sinalização horizontal, houve ainda a recuperação ou implantação de 5.829 placas de sinalização, além da execução de melhorias em 80,4 quilômetros de pavimento e reparação 30,9 quilômetros de defensas metálicas, o que contribuiu para melhores condições de trafegabilidade e segurança. Também foram reutilizados 39.804 pneus na produção de asfalto.
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