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Brasil

Sobre a operação da PF em 8 de fevereiro: o que é a verdade?

Nos últimos anos, principalmente entre 2018 e 2022, o sistema de proteção à democracia tem sido testado várias vezes ao dia. Situações antes inimagináveis: ataque às instituições, supressão de direitos fundamentais e violações aos direitos

Publicado em 12 de Fevereiro de 2024 às 01:30

Públicado em 

12 fev 2024 às 01:30
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

No dia 8 de fevereiro de 2024, às vésperas do carnaval, a Polícia Federal deflagrou mais uma operação, batizada de “Tempus Veritatis”, ou a “hora da verdade” em latim, com objetivo de investigar uma organização que teria atuado na “tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito”, culminando com os atos do 8 de janeiro de 2023.
Houve a execução de diversos mandados de prisão, busca e apreensão e medidas cautelares.  O trabalho da Polícia Federal, em cumprimento à determinação da Corte Suprema do país, balançou os corredores da Capital brasileira e alguns outros estados da federação.
O abalo, quase sísmico, deve-se a algumas peculiaridades, por ser a primeira a envolver tantos nomes da cúpula das Forças Armadas e militares graduados. Também merece relevo o material probandi amplo, que se estende além da delação, elevando a investigação a um ponto sem retorno, que considera as evidências da preparação de um golpe de Estado, por meio de estratégias cuidadosas e conjunto probatório adensado que vai se tornando difícil de contestar.
Um caminho somente de ida, com um poder de destruição ainda não calculado,  que pode atingir muito mais do que se supunha, quando naquele domingo de 2023 o Brasil todo assistiu atônito a algo tão violento.
Muito já tinha sido desvelado no correr da investigação, e com provas ou indícios robustos, como minutas, reuniões gravadas, mensagens reveladoras, entre outras, que conduziam ao questionamento acerca da inteligibilidade e sapiência do grupo, sem contar com as brincadeiras e memes que acabaram inundando as redes.
Contudo, é um momento, e sempre foi, de muita atenção e de não baixar a vigilância. 
Nos últimos anos, principalmente entre 2018 e 2022, o sistema de proteção à democracia tem sido testado várias vezes ao dia. Situações antes inimagináveis foram ocorrendo: ataque às instituições, supressão de direitos fundamentais e violações aos direitos humanos, tendo a disseminação do ódio como estratégia para o intento de um grupo que ainda deseja ameaçar a vida de um país que tinha tudo para viver em paz.
Por mais que nos esforcemos para entender as razões que levam pessoas a planejar a destruição da democracia, de forma consequente,  o racionalismo e lucidez humana não alcançam. Torna-se, por vezes, um périplo distópico que beira a loucura.
Polícia Federal
PF mira aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro em operação nesta quinta-feira (8) Crédito: Polícia Federal
O 8 de fevereiro e o 8 de janeiro guardam uma ligação intrínseca, talvez umbilical, que nos leva a atentar para o número oito, na vertical, considerando que na horizontal representa o infinito. Conhecido desde a Idade Antiga, era visto com frequência nos desenhos celtas, o símbolo do entrelaçar de duas serpentes significava a harmonia cósmica, aparecia na mitologia grega como um movimento e a relação entre deuses e humanos.
O oito ainda dá ideia de um ciclo de nascimento, vida, morte e renascimento. No cotidiano, é a própria imagem da segunda-feira, pois depois de seis dias de trabalho e um de descanso, o processo se renova no oitavo dia, no caso de hoje, uma segunda de carnaval, que não nos cabe somente brincar, caso contrário, na quarta-feira, somente haverá cinzas de um país que ainda sonha em viver em paz.
A democracia somente vingará se for protegida por todas e todos, e para isso precisamos estar vigilantes, infinitamente. Essa é a verdade!

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Seguranca Publica

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