Na semana passada uma decisão do presidente dos Estados Unidos provocou uma forte impacto e repercussão, pela ousadia, ineditismo e pelos danos que pode causar ao Brasil.
A imposição de tarifas de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil tem sido considerada inédita nas relações comerciais entre os dois países por muitos analistas e integrantes de várias camadas e searas, e ainda classificada como um ataque à soberania nacional.
Mas é mais do que isso.
Trata-se dos desafios de viver em democracia, indicando a necessidade de se ter um letramento em Estado Democrático de Direito: a consciência de cada pessoa de que viver em sociedade implica respeitar a decisão da maioria.
A questão tem como pano de fundo o respeito à democracia, ao passo que, pelo que se deduz-se e infere-se a decisão do presidente dos EUA, pode representar uma tentativa de interferência em favor do grupo político ligado ao ex-presidente do Brasil. Ao anunciar a nova tarifa, Trump criticou o processo contra o ex-presidente Bolsonaro no STF por planejar um golpe de Estado após as eleições de 2022.
Submeter a soberania e democracia de um país a uma pessoa é o indicativo de que os detratores desse movimento precisam ser contidos sob risco de danos irreversíveis.
Colocar em risco um país para satisfazer um intento privado e familiar não tem nada a ver com relações do mundo político, disputas entre compreensões de mundo e diferença em concepções sociais. É sim, além de uma irresponsabilidade, um devaneio sem precedentes, daqueles próprios das pessoas que não suportam diferenças e não respeitam o outro. Princípios que são a base da democracia.
Viver numa democracia é, por vezes, mais difícil do que pode parecer à primeira vista. O conceito de democracia, tão valorizado e defendido em muitos países ao redor do mundo, está longe de ser uma realidade simples e homogênea na vida cotidiana das pessoas.
Democracia não é apenas depositar um voto numa urna de tempos em tempos ou ter o direito de expressar opiniões publicamente. Trata-se de um sistema dinâmico, complexo e, por vezes, profundamente exigente, que requer maturidade cívica, capacidade de diálogo e compromisso verdadeiro com o bem comum.
A Constituição Federal de 1988 positivou um sistema democrático, tardiamente e com retalhos de vidas, que precisou ser negociado com a ditadura. Com isso, talvez tenha sido esquecido que democracia precisa ser exercitada diariamente, para que seja aprendida, sob os auspícios de valores diferentes de uma ditadura.
Liberdade e respeito são os pilares de um sistema em que deve caber todas as pessoas, e em hipótese nenhuma há que se preservar uma pessoa tendo que destruir o coletivo. Esses são os desafios de se viver numa democracia.