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Novos hábitos

O confinamento do coronavírus está nos reensinando a viver

O mundo parou, pelo mesmo para a maioria, e as pessoas estão reaprendendo a lidar com as diferenças dos seus, redescobrindo o próximo, exercitando a paciência e praticando a solidariedade

Públicado em 

28 mar 2020 às 05:00
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

Luva é uma medida de proteção em tempos de propagação do novo coronavírus
Luva é uma medida de proteção em tempos de propagação do novo coronavírus Crédito: Branimir Balogović/ Pexels
“Mudaram as estações, nada mudou, mas eu sei que alguma coisa aconteceu, está tudo assim, tão diferente”. O trecho da música “Por enquanto”, de 1985, de autoria de Renato Russo, poderia ser a trilha sonora do momento em que vivemos hoje. Mudanças e incertezas.
O confinamento está forçando a famílias (quem tem família) inteiras a lidar com diferenças que restaram invisibilizadas pela fuga social e afastamentos estratégicos, desaguando em um individualismo egocêntrico. Com a obrigação de ficar em casa (quem tem casa), as famílias estão se redescobrindo, lembrando como era o outro que estava tão perto e ao mesmo tempo tão longe. As refeições eram feitas às pressas, não se conversava, tudo era corrido pois não se podia perder tempo, e o mundo não parava. Essa reaproximação tem gerado tensões, mas pode também ser a porta para redescobertas de algo que se tinha perdido.
Pois bem, o mundo parou, pelo mesmo para a maioria (exceto para aqueles que, verdadeiramente, não podem parar, como profissionais da saúde e da segurança pública), e as pessoas estão reaprendendo a lidar com as diferenças dos seus, redescobrindo o próximo, exercitando a paciência e praticando a solidariedade.
Outro ponto de reflexão que o momento atual nos convoca é sobre o papel das mãos. Signo de acolhimento e ajuda, agora são vetores de transmissão, eis uma aporia. A todo momento precisam ser assepsiadas de algo que ainda é desconhecido, e que obriga a humanidade a reencontrar alguns valores que restaram sepultados: solidariedade ao outro em detrimento de si, empatia para com todos, partilha do pouco que temos e alteridade. O desafio consiste em praticar isso tudo sem o toque, o afago, o abraço e o beijo.
Mudar para sobreviver, eis a sentença. Isso implica na compreensão de que existe uma parcela da população invisibilizada, como o vírus que nos aterroriza, que sofrerá muitos mais, considerando a ausência de condições mínimas para promover o isolamento ou cumprir os protocolos de saúde, diante da situação precária de vida que tem, como é o caso da população em situação de rua, moradores da periferia, pessoas em situação de privação de liberdade.
Sairemos dessa situação com marcas indeléveis e perdas dramáticas já contabilizadas em todo o mundo, e com a exortação do artista de que “a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre, sem saber, que o pra sempre, sempre acaba”.

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Segurança Pública

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