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Sociedade

Como enfrentar o fascínio pelo nazismo?

Compreender o nazismo se faz necessário para que haja a compreensão de que que homens de bem, pais de família e frequentadores de igrejas mataram homens e mulheres por causa de sua raça, costumes e religião

Publicado em 13 de Março de 2023 às 00:10

Públicado em 

13 mar 2023 às 00:10
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

No Brasil, tem crescido o número de grupos com inspiração nazista, o que nos causa incredulidade, no sentido de que como é possível que pessoas possam manifestar simpatia com as ideias de Hitler. Na primeira hora essa simpatia nos remete a pensar que, talvez, a humanidade não tenha mais jeito, considerando que o que se encontra na centralidade desse pensamento fere de morte a dignidade da pessoa humana.
Saudações nazistas, marchar como um soldado da SS e defender bandeiras alinhadas ao pensamento fascista, eis algumas das práticas que têm sido recorrentes, o que alerta para o risco que corremos.
Algumas das tragédias que têm acontecido nos últimos anos no Brasil, quando se adentra nas histórias dos criminosos, o vínculo com esse pensamento emerge de maneira dilacerante.
Considerado regime fascista, o nazismo tem várias similaridades: autoritarismo, concentração do poder, glorificação de um líder e exaltação da coletividade nacional, dentre outras. E ainda tem como principais características: o racismo, a xenofobia, o nacionalismo e o antissemitismo. Todos esses elementos estão presentes nos crimes de ódio de que temos notícias.
A essência do nazismo é eliminar o outro que é diferente de mim. Dessa forma, compreende-se porque na atualidade esses pensamentos vão avançando e causando uma destruição sem precedentes na sociedade brasileira, que faz vítimas todos aqueles que se colocam contra as tentativas de implantação de uma filosofia de morte do outro que é diferente. Esse pensamento, de certo, autoriza os massacres e os extermínios.
Para enfrentar essa questão, mais do que nunca é importante lançar mão da educação. Compreender o nazismo se faz necessário para que haja a compreensão de que que homens de bem, pais de família e frequentadores de igrejas mataram homens e mulheres por causa de sua raça, costumes e religião. Que homens considerados defensores do bem escravizaram e exterminaram milhões de judeus, além de ciganos, homossexuais e pessoas com deficiência.
É também, de destacada importância, identificarmos que hoje a sociedade mundial atualiza essas práticas por meio do trabalho escravo, preconceitos, misoginia e manutenção da desigualdade social.
Aprender sobre os horrores do holocausto é fundamental não somente para manter vida a história e a memória das milhões de pessoas que foram exterminadas, mas para não se repetir. Histórias como a de Anne Frank e Edith Eger deveriam ser leituras obrigatórias para crianças e adolescentes, para se compadecer da dor do outro e aprender que a dignidade da pessoa humana é uma só.
A perpectiva de domínio e eliminação do outro ainda agrada muita gente. Muita mesmo. Se não pensa de acordo com meu pensamento, não serve ou não presta, preciso exterminar. Esse pensamento encontra-se na contramão da democracia, do estado democrático de direito e da pluralidade do ser.
O fascínio pelo controle, poder e dinheiro acaba por despertar em algumas pessoas a utilização de práticas de eliminação do outro e dominação de forma tão destrutiva, que não mede consequências.
Todos nós temos compromisso com a dor e sofrimento de milhões de pessoas que foram exterminadas por um sistema feito para a eliminação do outro. Portanto, exaltar pensamentos fascistas e se filiar a práticas de morte não pode estar no radar de uma comunidade mundial que pretende um futuro melhor que o passado.

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Seguranca Publica

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