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Brasil

Um carnaval de retomada da alegria e dos direitos

Depois de tanta dificuldade de respirar, seja pela asfixia pandêmica, seja pela asfixia da necropolítica,  esses dias nos convidam à leveza e à esperança de que após a quarta-feira de cinzas o tempo será de reconstrução, mas com tranquilidade e paz

Publicado em 20 de Fevereiro de 2023 às 00:05

Públicado em 

20 fev 2023 às 00:05
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra Verônica Bezerra
A maior festa popular do Brasil, mesmo sendo uma festa móvel, possui uma matriz determinante: o direito à alegria. Trazida para o Brasil pelos portugueses, é datada o seu estabelecimento nos séculos XVI e XVII, de forma primeva no Rio de Janeiro, nos dias que antecedem a Quaresma.
Um momento de brincadeiras, confraternização, encontros, danças e relevância dos aspectos culturais de cada canto deste país. A musicalidade é um aspecto central nesse período, considerando a condução dos corpos que se entregam ao bailar como uma forma de expulsar o sofrimento. Um festival de cor e brilho, que se contrapõe à penumbra dos dias comuns. Uma festa necessária para lembrar que a vida é pulsar.
A folia passa os seus recados. Uma mistura de cores e sons fazem da festa uma pluralidade sem precedentes, em que mensagens de resistência são repassadas, principalmente pelos que passam todo o ano na invisibilidade e durante esse período brilham.
Este ano o carnaval tem um gosto especial. O primeiro é a retomada da festa popular, no seu tempo certo, após três anos de pandemia. O outro é o carnaval realizado no inicio de um governo que compreende a cultura como uma das dimensões dos direitos fundamentais.
Revisitando a historicidade e fundamentos da referida festa, temos que a antecedência de um período de quarenta dias, que equivale ao período da Quaresma, que foi construído como um tempo de rigidez e restrição. Assim, condensa-se o ímpeto festivo da população para as semanas anteriores à Quaresma. Assim surgiu a carne vale, período para as pessoas extravasarem seus desejos, e de forma estrita a expressão significa “retirar a carne”, ou seja, o momento de preparação para que os prazeres carnais fossem retirados.
Blocos de carnaval em Manguinhos, na Serra
Blocos de carnaval em Manguinhos, na Serra Crédito: Vitor Jubini
Em sentido reverso, podemos entender que o carnaval de 2023 pode representar como o período de devolução dos prazeres que foram negados e julgados, e inaugurando um tempo de retomada da vida plena, tendo como base a alegria e os direitos.
Depois de tanta dificuldade de respirar, seja pela asfixia pandêmica, seja pela asfixia da necropolítica, fato é que esses dias nos convidam à leveza e à esperança de que após a quarta-feira de cinzas o tempo será de reconstrução, mas com tranquilidade e paz.

Verônica Bezerra

Verônica Bezerra Verônica Bezerra

É advogada, doutoranda em Ciências Sociais, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais, especialista em Direitos Humanos e Segurança Pública

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