Em artigo de opinião publicado na Revista RI, na edição 268, de fevereiro de 2023, a economista Eduarda La Rocque refletiu sobre as boas práticas de governança contemporânea. Ela começou o artigo abordando o caso das Americanas, que diz respeito, de acordo com a economista, ao problema da falta de integridade.
La Rocque destacou depois três elementos no seu artigo de opinião: “i) governança corporativa, seja pública ou privada, começa por integridade; ii) o eixo econômico não pode estar separado do socioambiental nas empresas; iii) precisamos, portanto, de melhores processos, controles e indicadores de desenvolvimento”.
A economista apresentou o índice de progresso social (IPS), já implantado na cidade do Rio de Janeiro. Trata-se de uma abordagem direta da mensuração do desenvolvimento humano a partir de indicadores selecionados em três dimensões e doze componentes definidos globalmente, conforme consta na metodologia exposta no site do IPS-Rio.
Necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades representam as três dimensões do IPS. Nutrição e cuidados, água e saneamento, moradia, segurança pessoal, educação básica, acesso à informação, saúde e informação, meio ambiente, direitos individuais, liberdades individuais, tolerância e inclusão, educação superior são os componentes das três dimensões citadas.
Em relação ao ano de 2022, o ranking dos bairros da cidade do Rio de Janeiro encontra-se disponível on-line para consultas. Segundo La Rocque, o IPS representa “o conceito de comunitarismo e o modelo de desenvolvimento territorial”. Ela acrescentou ainda que precisamos “construir consensos mínimos para o futuro, com responsabilidade fiscal, social e, acima de tudo, ética e transparência”.
Citando o célebre economista Joseph Stiglitz, professor da Universidade Columbia, La Rocque ressaltou as três crises existenciais que o mundo vem passando - a crise climática, a crise de desigualdade e a crise da democracia. Estamos ultrapassando os limites do planeta? A economia política moderna oferecerá prosperidade compartilhada? As democracias liberais resistirão, caso as economias fracassem para a coletividade?
Desigualdades excessivas podem minar as bases do crescimento de um país. Afinal, desde a grande repercussão global da publicação do trabalho do economista Thomas Piketty, em 2013, ficou claro que quando a diferença entre o retorno médio do capital e o crescimento da economia é estruturalmente grande, as desigualdades podem ser consideradas como disfuncionais em uma democracia liberal.
A economista propõe, ao final do seu artigo, “que indicadores de resultados das políticas públicas, tais como o IPS, sejam usados nas estatísticas junto aos indicadores econômicos usuais tais como renda, inflação, PIB, nível de atividade e desemprego”. Poderíamos pensar em construir o IPS para as cidades capixabas? Gestões municipais na Grande Vitória teriam interesse em construir esse índice por bairros para melhorar a alocação de recursos públicos escassos nos territórios?