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Mundo

Democracias: não nos afastamos definitivamente do abismo

Após a queda do Muro de Berlim, em 1989, e principalmente após a dissolução da União Soviética, em 1991, com o fim das experiências do socialismo real, o Estado de bem-estar social capitalista havia perdido a sua utilidade de contenção

Publicado em 17 de Março de 2025 às 03:00

Públicado em 

17 mar 2025 às 03:00
Rodrigo Medeiros

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Rodrigo Medeiros

Um artigo publicado no site da revista Piauí, “A democracia na roleta russa” (22 fev. 2025), de Pedro Lange Machado, pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), trouxe elementos interessantes para o debate público. Citarei algumas passagens do interessante artigo e farei alguns breves comentários.
De acordo com o pesquisador, “a popularidade dos que querem implodir a democracia é uma realidade, e resulta não de erros táticos do campo democrático, mas de um processo longo e sistêmico, que pode ser examinado em três etapas”. A primeira etapa diz respeito à formação de uma hegemonia da agenda defendida pelo mercado financeiro, conhecida como neoliberalismo. Nesse sentido, a globalização financeira estreitou a margem de manobra dos governos nacionais que buscavam fugir dessa agenda.
A segunda etapa do processo foi a de reação popular. Segundo Machado, “a globalização prometeu desenvolvimento e prosperidade, mas o que se passou a observar, ao menos no mundo ocidental, foi uma crescente concentração de renda, acompanhada de recorrentes instabilidades financeiras e macroeconômicas (que inviabilizam o crescimento e o desenvolvimento) e do desmonte das políticas de bem-estar social”. A distopia neoliberal cancelou o futuro para muitas pessoas em diversos países.
Populistas de extrema direita estão se fortalecendo. Após a queda do Muro de Berlim, em 1989, e principalmente após a dissolução da União Soviética, em 1991, com o fim das experiências do socialismo real, o Estado de bem-estar social capitalista havia perdido a sua utilidade de contenção. Para manter o sistema capitalista vigente, que vive em crise permanente, a democracia liberal conseguirá resistir aos avanços das novas formas de fascismo?
Conforme ponderou o pesquisador, “a terceira etapa desse processo é o estado de negação em que o campo democrático se encontra”. Machado afirmou que “a crise da democracia está associada à hegemonia do neoliberalismo progressista, que não só não é capaz de entregar a prosperidade que promete como acentua problemas sociais e interdita alternativas para solucioná-los”. Estamos vivendo esse drama no Brasil.
Apoiadores de Bolsonaro invadem prédios na Praça dos Três Poderes em Brasília
Apoiadores de Bolsonaro invadem prédios na Praça dos Três Poderes em Brasília em janeiro de 2023 Crédito: Gabriela Bilo/Folhapress
A agenda neoliberal concentra a riqueza e é altamente benéfica para as elites econômicas. Citando o Latinobarômetro, o pesquisador apontou para o fato de que o apoio à democracia está abaixo da média histórica pós-redemocratização na América Latina. A extrema direita cresce nesse clima de insatisfação, inclusive se mostrando disposta a promover golpes de Estado e medidas de exceção.
“Em 2022”, avaliou o pesquisador, “os Estados Unidos sob Biden foram fundamentais na contenção do golpismo no Brasil”. Poderemos contar com algo do gênero em 2026? Machado concluiu afirmando que “sem que haja governança e articulação global, os países não serão capazes de lidar individualmente com a crise da democracia, cuja sobrevivência, no estado de inércia atual, está à mercê das circunstâncias”. Não nos afastamos definitivamente do abismo.

Rodrigo Medeiros

E professor do Instituto Federal do Espirito Santo. Em seus artigos, trata principalmente dos desafios estruturais para um desenvolvimento pleno da sociedade.

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