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Renata Rasseli

"Por enquanto, estamos indo a lugares abertos", diz capixaba na Itália

A jornalista capixaba Denya Pandolfi, que mora há 15 anos em Florença, conta como estão as medidas de relaxamento pós-lockdown no país

Publicado em 14 de Junho de 2020 às 05:00

Públicado em 

14 jun 2020 às 05:00
Renata Rasseli

Colunista

Renata Rasseli

A jornalista capixaba Denya Pandolfi conta como está a reabertura na Itália
A jornalista capixaba Denya Pandolfi conta como está a reabertura na Itália Crédito: Divulgação
A jornalista capixaba Denya Pandolfi, 46, que mora há 15 anos, em Florença, está se readaptando ao relaxamentos das regras, depois do lockdown devido à pandemia do coronavírus, na Itália. "Começamos a fase 3 no último dia 3 de junho. Desde então podemos circular livremente por todo o país". Autora do blog do "Grazie a te", a jornalista, casada como italiano Marco Pieri e mãe de Bruno (11) e Lorenzo (8) começou ainda passa a boa parte do dia em casa. Só sai em casos necessários, seguindo os protocolos de distanciamento e uso de máscaras.  "E quando saímos em família, optamos por lugares ao ar livre. Nossos programas têm sido em locais ao aberto, como piqueniques e passeios nos parques e praças da cidade", conta a capixaba. Confira a entrevista: 

Como vocês estão aí na Itália com relação ao relaxamento das restrições pela pandemia?

Começamos a fase 3 no último dia 3 de junho. Desde então podemos circular livremente por todo o país, podemos nos deslocar entre as regiões sem apresentar a autocertificação. Foram reabertas as fronteiras para muitos países da União Européia e do Acordo de Shenghen. Alguns países ainda não aceitam turistas da Itália, por ter sido por um período o país epicentro da pandemia. Essa liberdade que nos foi concedida não significa que vencemos totalmente o vírus, a Itália não eliminou os casos de infecção por completo, mas os contágios são bem baixos. Estamos convivendo com o vírus tomando as devidas precauções.

O que está funcionando? O que segue fechado?

A Itália foi reabrindo gradualmente os vários setores. Inicialmente foram reabertas fábricas e indústrias e algumas lojas. Em outro momento, hotéis, museus, igrejas, cabeleireiros, bares e restaurantes e os mercados ao ar livre e as feirinhas também voltaram a funcionar. Aqui em Firenze,  muitos hotéis, lojas e restaurantes preferiram não reabrir, alguns estabelecimentos fecharam definitivamente e outros estão aguardando novas aberturas (de outros países), o que possibilitará maior fluxo de turistas. Seguem fechados cinemas e estão proibidos concertos, espetáculos e shows, enfim, ainda é proibido aglomeração de pessoas. As regiões têm autonomia para decidirem por si mesmas as medidas a serem adotadas, de acordo com a própria realidade e com a situação dos contágios. Aqui na Itália temos muitas praias a pagamento. Os estabelecimentos de praia, que tem concessão para explorar o litoral também precisam seguir o protocolo do distanciamento entre as sombrinhas. As escolas encerraram o ano letivo hoje (10 de junho) com as escolas fechadas. Os estudantes voltarão às aulas no início do próximo ano letivo, que aqui começa em setembro.

Qual é o efeito psicológico de sair do confinamento ?

Eu que vivo numa cidade turística como Firenze tive uma sensação muito estranha ao voltar ao centro histórico para passear há poucos dias e vê-la deserta e com tantos restaurantes e hotéis fechados. Foi um misto de emoções: felicidade por poder sair, mas também de insegurança e incerteza e tristeza por saber que tantas atividades estão passando por tanta dificuldade e que provavelmente precisarão fechar. Esse nosso retorno tem sido gradual e ainda estamos nos readaptando ao novo estilo de vida, como por exemplo ao uso de máscaras, o cuidado com o distanciamento interpessoal e a atenção ao entrar em locais fechados. Muita gente ainda está insegura e prefere ficar em casa. Nós temos saído pouco mas sempre tomando precauções. Ainda evitamos o máximo que podemos lugares fechados. Optamos por lugares ao ar livre. Nossos programas em famílias têm sido em locais ao aberto, como piqueniques e passeios nos parques e praças da cidade e só há poucos dias encontramos com amigos num parque.

Quanto tempo você e sua família ficaram em casa?

O lockdown aqui na Itália foi decretado desde o dia 8 de março. Passamos cerca de dois meses em confinamento, podíamos sair de casa apenas em caso de necessidade, como ir à farmácia ou ao supermercado próximos a nossa residência, e sempre com uma certificação justificando o deslocamento. Aqui na Toscana, o governo autorizou a população a sair de bicicleta desde o dia primeiro de maio. A fase 2 começou em toda a Itália no dia 4 de maio, com abertura de algumas atividades.

E quais são os cuidados ao sair de casa?

Precisamos seguir um protocolo. Distanciamento interpessoal é obrigatório, assim como o uso de máscaras em locais fechados, já em locais abertos é preciso utilizá-la quando não é possível manter a distância de no mínimo 1 metro. As máscaras têm sido distribuídas pelo governo gratuitamente para toda a população. Precisamos higienizar as mãos com álcool gel que encontramos na entrada de todos os estabelecimentos fechados, e muitos deles, como supermercados, museus e shoppings, também medem a nossa temperatura na entrada. Em lojas, bancos, supermercados e nos estabelecimentos precisamos manter distância e muitos desses locais sinalizam no chão onde devemos ficar para aguardar nas filas, por exemplo. Todos os locais trazem cartazes na porta sobre como devemos nos comportar em locais fechados e alguns deles permitem a entrada de apenas uma pessoa de cada vez. As visitas aos museus estão sendo realizadas com número reduzido de pessoas e muitos locais aceitam apenas com reserva online. As regras de distanciamento servem para os transportes públicos, escritórios, repartições públicas, restaurantes, lojas, igrejas, clínicas, museus, enfim, em qualquer ambiente fechado. Ainda é preciso ter cautela e evitar aglomerações, ter bom senso, atenção e respeito. Cada região da Itália tem autonomia para decidir sobre as medidas a serem seguidas.

FAMÍLIA

A jornalista capixaba Denya Pandolfi conta como está a reabertura na Itália
A jornalista capixaba Denya Pandolfi e sua família em um passeio ao ar livre Crédito: Divulgação

Renata Rasseli

A jornalista Renata Rasseli cobre os eventos sociais, culturais e empresariais mais importantes do Estado. Sua marca é aliar notícias a tendências de moda, luxo, turismo e estilo de vida

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