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Crítica

"Um de Nós Está Mentindo", da Netflix, é esquecível, mas diverte

Série de mistério "Um de Nós Está Mentindo" tem quatro jovens suspeito do assassinato de um colega que revelava segredos de todos na escola

Públicado em 

22 fev 2022 às 19:24
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

Série
Série "Um de Nós Está Mentindo", da Netflix Crédito: Peacock/Divulgação
As tramas com foco no “whudunit”, aquelas em que todo o mistério é construído na busca por um responsável por algo, estão em alta em gêneros e formatos diferentes. De grandes produções como “Morte no Nilo” e “Entre Facas e Segredos”, passando por séries dramáticas como “Mare of Easttown” e comédias como “Only Murders in the Building”, até chegar às tramas adolescentes de gosto duvidoso, tal qual o remake de “Eu Sei o que Vocês Fizeram Verão Passado” e “Clickbait”. “Um de Nós Está Mentindo”, nova série da Netflix, até tem seus bons momentos, mas se aproxima demais das duas últimas para se destacar positivamente.
Lançada originalmente pelo serviço Peacock, a série criada por Erica Saleh a partir do livro de Karen M. McManus inicialmente parece uma narrativa ao estilo “Gossip Girl”, com alguém publicando segredos sobre os alunos do colegial. A diferença é que todos sabem que o responsável por publicar esses segredos é Simon (Mark McKenna), o filho da prefeita e um cara não muito popular na escola.
Um dia, durante um castigo, o jovem tem uma reação anafilática causada por uma alergia e vem a óbito, tornando os outros quatro jovens em detenção os principais suspeitos pela morte. A popular Addy (Annalisa Cochrane), o atleta Cooper (Chibuikem Uche), o bad boy Nate (Cooper van Grootel) e até a exemplar Bronwyn (Marianly Tejada) tinham motivações para querer a morte de Simon.
A narrativa tem início como um jogo de desconfiança entre os quatro protagonistas e aos poucos vamos conhecendo seus segredos e suas possíveis motivações para o crime. Logo, porém, a trama ganha novos contornos e um espectro mais amplo - quase todos na escola, afinal, tinham motivos para querer a morte de Simon.
Série
Série "Um de Nós Está Mentindo", da Netflix Crédito: Peacock/Divulgação
“Um de Nós Está Mentindo” é eficiente em construir Simon como um sujeito odiável que usava segredos como vingança pessoal ou como punição, com um senso de justiça torto e equivocado. Fica fácil, assim, acreditar que realmente todos são suspeitos.
Partindo dessa construção, no entanto, o texto abusa dos clichês do gênero, criando tensão forçada em momentos descabidos em tentativas de criar um clima “perigoso” e a cada episódio indicando novas direções. Ao final dos oito episódios, todos os personagens com um mínimo de tempo de tela já foram tratados como suspeito pelos protagonistas e pelo roteiro, que se esforça para compremos suas viradas que obviamente são apenas distrações.
Série
Série "Um de Nós Está Mentindo", da Netflix Crédito: Peacock/Divulgação
É bom ressaltar que “Um de Nós Está Mentindo” nunca se vende como algo que não é. Mesmo que force referências ao cinema de John Hughes ("Clube dos Cinco" é a inspiração da autora do livro) em citação até direta, a série assume o tom sério até em seus momentos mais ridículos, com uma comicidade quase involuntária, como na prisão de um suspeito em cena que parece saída diretamente de “Murderville”, também da Netflix. A atuação da polícia é risível pela incompetência e pelas práticas dos investigadores, que acreditam piamente em provas que aparecem convenientemente, sem investigação alguma.
“Um de Nós Está Mentindo” é aquele tipo de narrativa em que há sempre alguém escutando ou observando, um recurso preguiçoso para colocar o roteiro em movimento. Da mesma forma, todos os planos incluem em roubar celular, computador ou outro dispositivo para checar se a pessoa é inocente ou não - curiosamente, as senhas e os bloqueios só existem quando o roteiro precisa deles para criar alguma tensão.
Série
Série "Um de Nós Está Mentindo", da Netflix Crédito: Peacock/Divulgação
Falta ao suspense lançado no Brasil pela Netflix atenção a alguns detalhes, como um olho roxo milagrosamente curado de um dia para o outro, e até mesmo um casting mais cuidadoso, pois boa parte dos atores têm mais de 25 anos, alguns quase 30, e aparentam as respectivas idades, sendo difícil comprar a ideia de ainda estarem no colegial. Apesar disso, o texto tem boas abordagens para questões de sexualidade e relacionamentos abusivos, tendo o tema central como faísca para o desenvolvimento de alguns personagens.
Caminhando perigosamente sobre a linha que separa o “whodunit” de um episódio de “Scooby-Doo”, “Um de Nós Está Mentindo” é eficaz como um suspense adolescente e tem boas ideias, mas peca na execução da maioria delas, o que resulta em uma série com atrativos, mas com desenvolvimento preguiçoso. O final deixa um gancho gigante, mas pelo menos uma segunda temporada já foi confirmada pela Peacock.

Rafael Braz

Crítico de cinema e apaixonado por cultura pop, Rafael Braz é Jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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