Como disse acima, o Deus da Bíblia é senhor da criação e todos os seres vivos são parte de seu projeto de preservação, graça e cuidado. Por isso, atacar sua obra seria o mesmo que se colocar contra seu próprio artista e idealizador. Obviamente, por conta do contexto histórico de seus livros, a Bíblia não poderia fazer uma discussão avançada sobre direitos dos animais ou mesmo preservação ambiental. Todavia, como tenho mostrado, a Palavra de Deus tem, dentro dos seus limites socioculturais, intuições importantes a respeito da preservação e proteção dos animais. Em Êxodo 23, na determinação do ano sabático, exige-se que depois de sete anos a terra fique um tempo de repouso, sem ser utilizada. Nesse período, os pobres poderiam comer livremente os alimentos deixados do cultivo dos anos anteriores e os animais descansariam de seus trabalhos exaustivos (Ex 23.12). No ano sabático, então, interrompia-se o ciclo da exploração predatória e a justiça aos animais era lembrada. Ou seja, a Bíblia mostra-se preocupada com os direitos dos seres humanos e, ao mesmo tempo, protege os animais. Em outro texto emblemático, quando era comum alimentar-se de animais da mata, Deus orienta que ao encontrar um ninho de pássaro com a mãe e filhotes, o correto seria tomar estes e deixar a mãe para que não houvesse a extinção da espécie (Dt 22.6-7). O texto é tão sensível a respeito da preservação dos animais a ponto de afirmar que quem considerasse tal lei viveria bem e prolongaria seus dias (Dt 22.7) – tal qual a promessa para quem honrasse pai e mãe (Ex 20.12). Textos como esses servem de denúncia contra os maus-tratos aos animais.