Para saber como são as cidades no Espírito Santo em relação a inclusão, basta olhar as ruas da Grande Vitória. Não precisa muito para perceber que as condições de vida para as pessoas com deficiência são piores em relação ao restante da população, de modo especial quando se trata de acesso a bens, lazer, entretenimento e serviços nas cidades. Mesmo que rampas, calçadas com ladrilhos, ruas com ciclovia, plataformas em ônibus e outras mudanças sejam consideradas avanços, é preciso fazer mais.
Por mais que as adequações necessárias para superar as barreiras arquitetônicas e estruturais sejam visíveis em alguns bairros das cidades da Região Metropolitana, o desafio vai além. As pessoas com deficiência precisam ser reconhecidas como cidadãos com direito de ir e vir. O melhor exercício é colocar-se no lugar de uma pessoa com deficiência para sentir e perceber que muito ainda precisa ser feito para que nossas cidades se tornem lugares onde ela possa andar, transitar e passear sem se sentir impedida ou excluída devido à alguma barreira.
Sinônimo de luta, o dia 21 de setembro foi instituído como o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência para que avanços possam ser conquistados em favor da inclusão e participação na vida da cidade daqueles que sempre foram excluídos dela. No entanto, por mais que seja uma data importante, não quer dizer que esta “luta” deva ficar reduzida a apenas um dia. Por isso, é sempre importante que os diversos atores que atuam na cena pública se pronunciem e mostrem as reais necessidades de avanços e investimentos para que as cidades, com seus espaços, lugares e paisagens, possam ser acessíveis a todos.
A cidade deve ser para todos! Para tanto, o desafio não é pouco, exige mudança de mentalidade por parte de toda a sociedade e também de vontade política dos gestores para colocar em prática as leis que já existem. No momento, o que impera é um período de interregno. Estamos num intervalo entre o que deixou de ser e o que ainda não é. Isso significa um lapso temporal importante para rever como as cidades se comportam com relação à maior pandemia da historia.
Contudo, quando se fala em pessoas com deficiência, fica claro que a cidade já não atende bem à população. Mas foi a pandemia que mostrou o quanto a cidade é deficiente, pois ela e suas estruturas sociais e arquitetônicas impediram a participação integral de pessoas com deficiência. A marginalidade a qual estava submetido a pessoa com deficiência foi exacerbada com o avanço do coronavírus e os seus efeitos e impactos na vida da cidade.
Para além da gestão da cidade, as pessoas precisam tratar o outro com respeito. Como ninguém é uma ilha, para viver em sociedade é necessário entender e conviver com os diferentes e as diferenças. Os valores de colaboração, solidariedade, interdependência e complementariedade devem fazer parte da vida de quem reside na cidade. A luta não pode parar, pelo menos até todos entenderem que a deficiência é parte da diversidade da vida humana. Só assim é possível superar a exclusão e as opressões vivenciadas nas ruas, praças e avenidas das cidades capixabas. Vamos à luta!