Ressurge o lindo pendão da tradição. O America Futebol Clube do Rio adentra o gramado levado pelas mãos do jogador americano e senador Romário, empossado presidente rubro na semana passada. A maior parte da torcida do time já está no céu a bater palmas. Sou America desde pequeno e vestia a camiseta rubra contrariando toda a turma da rua.
Quando chegamos a Vitória, achei que eu era o único torcedor de berço do time. Mas que nada, havia mais dois, acho, o Medina do Itaú, como era conhecido, e o meu amigo, Sergio Egito.
O America carioca tinha uma ligação maternal com a família Antunes, do Arthur Antunes (Zico) e seus irmãos Edu, grande centroavante e driblador, e Antunes, meio de campo, deixando os adversários sentados no gramado. O time tinha e tem seu nome copiado em muitos estados brasileiros. América dali, América dacolá, America de todo lugar.
O hino do meu time é de fino trato. Começa que foi composto por um torcedor ilustre, autor das inquestionavelmente melhores marchinhas do carnaval brasileiro, Lamartine Babo. ”Hei de torcer, torcer, torcer, hei de torcer até morrer, morrer, morrer, pois a torcida americana é mesmo assim, a começar por mim, a cor do pavilhão é a cor do nosso coração..... e por aí vai.... Consta do hino algumas de suas glórias: “Campeão de 13, 16 e 22 tralalá…”.
O nosso grito de guerra nos estádios – “Sangue! Sangue! Sangue! – saiu de uma modesta torcida, era gigantesco. O hino, não desfazendo dos outros, era - e é - a música de verdade, com todas as notas, compassos, harmonias e rimas.
Então.
Fundado em 18 de setembro de 1904, para quem quiser saber, o time conquistou sete títulos de campeão carioca e em 1982 tornou-se o primeiro campeão da Taça Rio. Sangue pulsando forte no coração, devotamos merecida gratidão pela família Antunes, brilhantes fora e dentro de campo a serviço do Mecão, especialmente os irmãos Edu, Antunes, Nando e Zico, entre outros. Ganhamos sete títulos do Campeonato Carioca, sendo o quinto maior campeão estadual.
No domingo, 22 de setembro de 1974, diante de um público com mais de 97 mil torcedores, dois times entraram em campo completos para decidir a fase final do campeonato: Fluminense X América. O América escalado com Rogério, Orlando, Alex, Geraldo e Álvaro; Ivo, Bráulio e Edu; Flecha, Luisinho e Gilson Nunes. O Fluminense, dirigido por um jovem Carlos Alberto Parreira, tinha Félix, Toninho, o uruguaio Brunel, Assis e Marco Antônio; Carlos Alberto Pintinho, Cléber e Gérson; Cafuringa, Gil e Mazinho.
Em campo, enquanto o Flu se resumia a tocar a bola para os lados, acomodado com a vantagem do empate, o America partia para tentar a vitória. E logo aos 12 minutos veio a grande chance quando Gérson cometeu falta em Edu na frente da área. Orlando se apresentou para a cobrança e acertou um tiro seco, rasteiro, queimando grama, no canto do gol de Félix. A metade rubra do Maracanã festejava: estava aberto o caminho para o título.
O America dominou a primeira etapa contra um Fluminense lento. No segundo tempo, no entanto, os tricolores voltaram com novo ânimo, criando boas chances logo de saída. Insuficiente. Sangue, sangue , sangue.
O apito final fez com que a festa rubra não mais se contivesse. E a grande exibição do America mereceu até mesmo os aplausos do lado tricolor.
E até hoje os tricolores da Barra do Jucu liderados por Rubinho Gomes choram a dor.
Sangue, sangue, sangue.
Dorian Gray meu cão vira-lata está de boné vermelho