Ando a filosofar. Depois que compreendi na minha mais inocente ignorância os limites da ciência, busco o livre pensar, só pensar. Não é fácil, nem difícil, não é nada. É tudo.
Espero que as pessoas prendadas pelo acúmulo científico não se ofendam com a minha postura recentemente convicta que denuncia a ciência como autoritária, limitada e limitadora de modo que qualquer coisa que não esteja dentro de seus territórios epistemológicos não existe.
A psicossomática, que ousa dar à doença uma amplitude de tratamento para além das mais brilhantes formulações obtidas por pesquisa científica, não recebe o respeito necessário, mesmo que seja usada aqui e ali.
É o caso de alguns índios brasileiros. Eu nasci no Amazonas – ninguém é perfeito – e convivi com famílias de caboclos – um cruzamento de índios e brancos – encontrados facilmente exercendo a função de empregados domésticos, quando adaptados.
Bem pertinho de Manaus, onde meu tio Beto praticava caça silvestre - paca, tatu, cotia, jacaré e outros bichos – chegávamos a territórios - ainda não descobertos pelo dinheiro - através das águas do Rio Negro, quando era possível nadar e mergulhar.
Eu tinha de dez a doze anos e mergulhava nestas águas na maior intimidade, quando eram saudáveis. Nas tribos do Careiro, Itacoatiara, Parintins, e outras, tínhamos plena liberdade. Por exemplo, os índios nos ajudavam a pescar pirarucu e matrinchã, dois peixes imensos e deliciosos, com arco e flecha. Que eu visse não sabiam ou tinham acesso a qualquer arma de fogo. A gente usava anzol. Era uma batalha justa.
E daí?
Acontece que eles praticavam suas curas baseados na mais intensa percepção do corpo. Os frutos e folhas eram o objeto desta medicina fundamental. A culinária indígena, então, perfumava e dava sabor único às capitais como Belém e Manaus.
Todo mundo lá sabe que dor ou outro incômodo digestivo é tratado com tacacá e oferece uma cuia com o preparo. A senhora aí pegue lápis e papel. Calma, ninguém comia papel ou mastigava lápis. É para anotar a receita, embora aqui no sul maravilha é quase impossível encontrar. Mas tem. Vou contar como os caboclos ou índios fazem, anote aí.
Meninos eu vi.
Entre na mata e colha um vegetal semelhante à couve chamado jambu. Deixe descansar em um barril de madeira, por uma semana, o tucupi, que é feito de mandioca brava e venenosa se não curtido. Em outra vasilha, cozinhe a goma de tapioca, que ajuda a neutralizar a acidez do tucupi.
Depois, é só levar ao fogo e misturar elemento por elemento no panelão. O mais difícil é achar camarão de água doce, que chega à cuia seco. O cheiro da mistura é indescritível de bom.
Muitos remédios utilizados pelos índios que restaram ainda são retirados da mata, dos galhos e das árvores, e das águas. São milhares de anos de sabedoria instintiva, psicossomática. Uma fonte natural como essa é ignorada pela indústria farmacêutica, com raras exceções.
Tem tempo que não volto ao Amazonas. Da minha família original ficaram poucos, mas a selva continua sendo destruída covardemente. Ainda por lá, ouvia as notícias do mercúrio que mandavam jogar nos rios para impregnar-se de ouro, envenenando as águas. Eu e minha família quando viajávamos de navio, por exemplo, de Manaus para Belém, ou vice-versa, víamos várias vezes montões de peixes mortos boiando.
A política de proteção da Amazônia é uma farsa. Os destruidores daquelas matas morrem de rir das medidas severas tomadas pelos governos. Neste país desigual, a verdade é que não sobra nada de eficaz nas medidas tagareladas pelos governos. Todos.
Outro dia recebi um texto apócrifo sobre a relação do corpo com as doenças, que uma luz esperançosa sobre a concepção psicossomática.
Dizia assim:
“A enfermidade é um conflito entre a personalidade e a alma.
O resfriado escorre quando o corpo não chora.
A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições.
O estômago arde quando as raivas não conseguem sair.
O diabetes invade quando a solidão doi.
O corpo engorda quando a insatisfação aperta.
A dor de cabeça deprime quando as dúvidas aumentam.
O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar.
A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável.
As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas.
O peito aperta quando o orgulho escraviza.
A pressão sobe quando o medo aprisiona.
As neuroses paralisam quando a "criança interna" tiraniza.
A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.
Os joelhos doem quando o orgulho não se dobra.
O câncer mata quando não se perdoa e/ou cansa de viver.
E as dores caladas? Como falam em nosso corpo!
A enfermidade não é má, ela avisa quando erramos a direção.
O caminho para a felicidade não é reto, existem curvas chamadas equívocos.
Existem semáforos chamados amigos.
Luzes de precaução chamadas família.
Ajudará muito ter no caminho uma peça de reposição chamada decisão.
Um potente motor chamado amor.
Um bom seguro chamado fé.
Abundante combustível chamado paciência.
Mas há um maravilhoso condutor e solucionador chamado Deus”.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, não acredita na política brasileira para o meio ambiente.