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Crônica

Marta e a injustiça da juíza malvada

A juíza “torcedora” do adversário do Brasil não pensou nem uma vez, puxou do coldre um cartão vermelho. Expulsou a deusa da arte e da delicadeza, sem qualquer precedente violento em jogadas divididas ou não

Publicado em 06 de Agosto de 2024 às 02:15

Públicado em 

06 ago 2024 às 02:15
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Como faz sempre, a nossa majestade, a rainha Marta, para nosso contentamento no futebol, atalhou para, entre três cruéis inimigas espanholas, e com a habilidade que Deus lhe deu, intervindo para impedir um sufocante e violento ataque aéreo promovido pelas inimigas bem na cabeça de área verde e amarela.
Eis que uma inimiga espanhola mergulha de cabeça propositadamente no meio da disputa da bola e coincide com a sapatilha esportiva de Marta, que de voleio defendia as honras brasileiras em um aglomerado de seis jogadoras. Com habilidade, pura delicadeza e à meia altura, estilo que concedeu a ela o troféu de melhor atleta e personalidade mundial de todos os tempos, um reconhecimento estilo Nobel, foi vítima de uma injustiça.
Pra quê?
O leve toque do bico da chuteira, que visava aliviar a área brasileira, raspou levemente na adversária provocando uma marca. Sem a menor cerimônia que se deve a uma unanimidade esportiva mundial, a juíza expulsou Marta e tudo que ela faz em campo. Não houve a mais mínima imparcialidade. (Notei um certo sorriso sádico no canto de boca da, por assim dizer, árbitra).
Olimpíadas
Gabi Nunes correu para abraçar Marta após o lindo passe para o gol sobre a Nigéria Crédito: Reuters/Folhapress
É com grande facilidade que a Rainha Marta com a perna canhota exorciza adversários. Uma adversária naquele jogo, que buscava o desmantelamento do ataque da equipe verde e amarela, atirou-se contra o bico da sapatilha - quem viver verá - na trajetória do voleio kamikaze. A juíza “torcedora” do adversário do Brasil não pensou nem uma vez, puxou do coldre um cartão vermelho. Expulsou a deusa da arte e da delicadeza, sem qualquer precedente violento em jogadas divididas ou não.
Então, mais sacanagem.
Estamos agora com os olhos cheios d'água e o coração cheio de mágoa. Marta chora na arquibancada impedida “arbitrariamente” de mostrar a que veio.
O adversário é difícil: a França, sede dos Jogos Olímpicos deste ano. Sem a líder, o grupo tupiniquim esbanjou suor e lágrimas.
Logo de cara, um pênalti contra o Brasil foi marcado, com assertividade. Pronto, era só o que faltava para este segundo jogo.
Foi então que a maravilhosa goleira, Lorena, voa - como vinha fazendo - e impede o gol.
As francesas foram ao desespero. Apertaram o santo do time brasileiro visando a sua, lá deles, passagem para a seguinte fase. O Brasil, organizado na defesa, em um contra-ataque com apenas uma jogadora, a Gabi, marca nosso gol, em um canto a bola, no outro a goleira.
Então, deu-se a melódia.
O poderoso exército francês jogou todas as armas contra o Brasil que fez 1 a zero. Estamos em Paris, e a torcida gaulesa gritava incentivando.
A juíza, na maior cara de pau, impôs uma prorrogação de - juro por Deus - 16 minutos. Apaixonado por futebol desde criança, não tive oportunidade de assistir tamanha aberração, nem coisa parecida. para começar não havia motivo. Não para 16. Mas a equipe brasileira mostrou orgulho e raça.
Acabou a prorrogação. Quando estava me preparando para comemorar, a árbitra impôs mais dois minutos, tirados do nada. Foi a primeira prorrogação de 18 minutos que presenciei. Mas que nada.
O jogo foi encerrado com a vitória do Brasil por 1 a zero.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, ainda late pela rua “Ó pátria amada idolatrada, salve salve”.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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