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Crônica

Parabéns, Biden, mas cuidado com o andor que o santo é de barro

Gostaria de expressar sinceros agradecimentos ao Donald Trump por haver sumido do mapa. Aqui, bem no fundo do meu coração, atento para o resultado desse jogo de pôquer que é o estilo das eleições nos Estados Unidos

Públicado em 

10 nov 2020 às 04:00
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Joe Biden durante campanha à presidência dos EUA, na Pensilvânia
Joe Biden durante campanha à presidência dos EUA, na Pensilvânia Crédito: Adam Schultz / Biden for President
Gostaria de expressar sinceros agradecimentos ao Donald Trump por haver sumido do mapa, não sem antes revelar o cabeleireiro que fez aquilo com os raros fios amarelados de seus transparentes cabelos, o estilo Old Mamute.
Aqui, bem no fundo do meu coração, atento para o resultado desse jogo de pôquer que é o estilo das eleições nos Estados Unidos. É fácil governar os norte-americanos. Lá tem um rio que vai de norte a sul, desde que nasce, o Mississipi (diferente do nosso, o maior do mundo, o Amazonas, que liga o nada a coisa nenhuma...).
Quanto à experiência em gerir o Estado, os estadunidenses são ingleses que perderam a revolta a qual chamaram de Guerra da Independência. Ou seja, o povo A contra o povo B, do mesmíssimo lugar. Não mudou nada, estava tudo pronto. Os dois países de mesma língua, dinheiro mais forte, são unha e carne, nem precisava tanto.
Portanto, a senhora aí, torcedora dos democratas, toda alegre na cadeira de balanço, não sabe que o democrata Kennedy adorava uma guerra. Dizem que chegava a suspirar eufórico com a notícia de mais uma invasão no Vietnã, país que não fez nada contra os Estados Unidos. Bem que podia continuar brincando de jogar golfe.
Está na hora do democrata Joe Biden saber de algumas coisinhas: o que é céu e o que é inferno. Definição difícil pelo fato de milhões de igrejas dedicarem-se a amedrontar os fiéis com regras e mandamentos.
E foi assim que lá pelos anos 4 mil antes de Cristo, de autoria desconhecida, foram inaugurados tanto o céu, quanto o inferno. Tratava-se de habitações, respectivamente, dos justos e abençoados, e dos injustos e amaldiçoados. A ideia de uma vida após a morte, que consiste em recompensar os corretos com uma habitação palaciana celeste e punir os malfeitores com uma habitação no submundo, já era extremamente arcaica e global.
Há evidências de que os mesopotâmicos (cuja cultura originou-se em 4 mil a.C.) acreditavam que a maioria de seus deuses viviam “acima”. As almas acima dos mortos desciam ao submundo, um lugar de calor intenso, escuridão e sofrimento.
Similarmente, os egípcios antigos também acreditavam que os mortos desciam ao submundo. Se fossem tidos como justos, eram julgados por suas ações. Então podiam subir de escadas para o céu. Se tidos como malfeitores (tipo ladrão do dinheiro público) eram devorados pelo monstro-crocodilo Ammit.
As cuecas seriam queimadas com o Lalau dentro.
Em nome da ética devo atribuir grande parte dessas informações a Robert Arp, que partindo do remoto passado, prevê o futuro desta humanidade de idas e vindas sem cessar. Depois, escreve o presente e o futuro.
Parabéns, Joe Biden, mas cuidado com o andor que o santo é de barro.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, concorda.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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