A mulher brasileira, que eu saiba, vem se organizando em todos os níveis para defender-se do ataque feroz do machismo e semelhanças. Tem até lei que só se aplica a elas, ainda bem. E cada vez mais ocupam, no poder público e, principalmente, em casa, suas funções devidas de mãe, avó, filhas, juízas, ministras de Estado.
Como são eficientes no senso de objetividade de desejo dos homens, ou outro gênero qualquer, cuidado e muita delicadeza. Entre outras posturas, temos leis formais específicas, Maria da Penha, por exemplo, resultado da luta feminista. E assim por diante.
Os homens, pobres diabos, só conseguem choramingar através da música, ainda por cima. Com exceção do carnaval, onde a categoria dispõe de instrumentos para fazer muito barulho, o canto é de alegria, embalado por ritmos e danças, e vice-versa, que falam e gritam até a maravilhosa histeria coletiva.
A senhora aí, duvido que cante uma música onde não predomine o lamento do homem em relação à paixão pela mulher, seja qual for o arranjo. Um homem ferido não tem a quem ou ao que se queixar: “Ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de meu amor (...)”, um clássico exemplo de letra famosa do jornalista e compositor Antônio Maria.
Amigo velho, os clássicos, ou não, que embalam as lágrimas de dor provocadas por uma ou mais mulheres são alegres. E os cantores, no momento da composição, ou estavam sozinhos e tristes ou amparados por um conhaque, uma cachaça ou uma recordação.
É desonra e motivo de expulsão da roda um homem criticar uma mulher ou demonstrar fraqueza na frente de outros. Os ingênuos, reconhecendo a superioridade do objeto de seu amor, ainda tentam, mas são vaiados na mesa por legislação popular. Esta é sim uma lei masculina.
Então.
Lupicínio Rodrigues deslocava-se de Porto Alegre diretamente para o Beco das Garrafas, em Copacabana, ou a um botequim ativo na Lapa, ficando até logo depois do meio-dia, quando todo o povo da tulipa em punho já tinha se recolhido, geralmente para outro boteco. Muitas vezes, reclamava sozinho da ausência das mulheres, como Paulinho da Viola em “Nervos de Aço”: “Você sabe, o que é ter um amor, meu senhor, ter loucura por uma mulher, e depois encontrar este amor, meu senhor, nos braços de um outro qualquer. (...)”.
Nelson Gonçalves, dizem, chorava às pampas as gotas de dor quando sofria por amor. Chegava com a sua marca: “Boemia aqui me tens de regresso e suplicante eu te peço, a sua nova inscrição (...) e que depois da boemia era dele que ela gostava mais”. Achava ele.
“Como eu posso por ela trocar a emoção de ver Vilma passar com o seu estandarte na mão (...)” é uma das célebres exaltações de paixão composta e interpretada por Jair Rodrigues ao sair de casa para sempre, isto é, até o próximo carnaval.
Agorinha mesmo, um maravilhoso e triste sucesso, “Epitáfio”, paira nos inconscientes feridos, uma autocritica para quem quiser ouvir, dedicado às mulheres pelo Titãs: “Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer (...).”.
João Bosco e Aldir Blanc resumem no frenético ritmo e música “Incompatibilidade de gênios” a arenga entre um casal de amores. “Doutor, ai doutor, jogava o Flamengo eu queria escutar. Ai doutor, ela mudava a estação começava a cantar (...), botou a minha cueca para o bruxo rezar (...), se me cai um cisco no olho, ao invés de assoprar, doutor, diz que por ela eu podia cegar.
Quero me separar”.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, disse que tá faltando verso.