Fiéis e resistentes leitores, finalmente a Terra está em transe, com o esquizóide Trump ameaçando a saúde mental de todo mundo. Modéstia às favas neste exato momento os já confusos mandamentos das altas cortes brasileiras só têm comparação com as leis das impecáveis gafieiras.
Não vou cansá-los. Espero que entendam o que realmente se passa na zorra dos eternos poderosos tupiniquins. Segundo meu cão vira-lata, Dorian Gray, ninguém se entende, ou se explica, de maneira convincente na cúpula do país e na sua política.
Os desejos de pensamentos da população do bravo povo brasileiro estão contidos - veja só - nos sambas de enredo e demais expressões do ritmo.
O filósofo Billy Blanco - que se chamava William Blanco Abrunhosa Trindade -, um cara estranho e talentoso compositor paraense, musicou a seguinte legislação, que trata da segurança pública e a forma eficaz de combater, com elegância, a violência:
“Na gafieira segue o baile calmamente, com muita gente dando volta no salão. Tudo vai bem mas eis porém que um pé subiu e alguém de cara foi ao chão”.
A cidadania e a capacidade de impor a ordem é cantada em metáforas:
“Não é que o Doca, um malandro comportado, ficou tarado quando viu a Dagmar, toda soltinha dentro de um vestido Saco - vocês lembram? - tendo ao lado um cara fraco.
Foi tirá-la para dançar. O moço era faixa preta e simplesmente fez o Doca bambolear sem bambolê (vocês lembram?). A porta fecha enquanto tudo vai não vai. Quem está fora não entra. Quem está dentro não sai.
Mas a orquestra sempre toma providência, tocando alto pra polícia não manjar. E nessa altura, como parte da rotina, o pistão tira a surdina e põe as coisas no lugar.”
Pronto.
Sobre as relações familiares, a música popular brasileira bem que deu seus conselhos históricos musicais e suas artimanhas, como ensinou Herivelto Martins na voz de Nelson Gonçalves:
“Levanta, levanta, gata manhosa, deixa de ser preguiçosa, vai procurar o que fazer. Amor, deixa de fita, prepara a minha marmita, levanta, vai te virar”.
Mas não pense que não havia nenhuma parceria companheira contida nas prescrições do casal.
“Deixei embaixo do rádio - não havia televisão na época desta composição - uma nota de 50 (cinquenta mil réis), vai à feira, joga no bicho, vê se te aguenta”.
Não faltaram também os cuidados com o orçamento do lar: “Economiza, olha o dia de amanhã, que eu preciso do troco, domingo tem jogo no Maracanã, do bate bola eu sou um fã”.
Tenho ouvido frequentemente, principalmente nessas eras, na vitrola de Dona Mariucha, minha mãe, os carnavais mesmo em LP, para matar a saudade.
Como vocês sabem, eu não canso de lembrar que o presente não existe. É uma transição entre o passado e o futuro.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, está ensinando seus cúmplices aqui da periferia a latir em sol sustenido maior essas canções compostas para teclado e cordas.