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Crônica

Meu nome é Paula, nasci no carnaval

Recordar é viver, como diz a marchinha de carnaval gravada por Dóris Monteiro. Aliás, não existe passado, presente e futuro. O que existe é o entrelaçar constante desses tempos que são sempre indefinidos e causam a mesma intensidade de emoção

Públicado em 

04 mar 2025 às 02:00
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Queridos leitores, queiram perdoar, mas vou fazer um feliz desabafo.
Corria o ano da graça de 1975, no dia 22 de fevereiro, um sábado de carnaval. Estávamos meu sogro Constantino Vicentini e eu na maternidade Doutor Arnaldo Ferreira, onde é hoje o Boulevard da Praia.
Esperávamos o nascimento de minha filha Paula, nome escolhido pela mãe Eliana, que naquele exato instante estava em trabalho de parto. Raimundo foi o obstetra dessa maravilha da minha vida até hoje.
De repente, não mais que de repente, Raimundo abre a porta da sala de parto e pede para eu entrar. Eliana, ainda meio sonolenta, mal abria os olhos.
Entrei.
"Adivinha quem está aqui, Eliana?", perguntou Raimundo segurando as mãos dela.
"É o Paulo", reagiu ela.
Enchi-me de orgulho e alegria: veio à luz um bebê que pelo chorar convicto já foi dizendo a que veio: viver. Cheio de contentamento, conheci a filhota que chorou sua canção de nascer.
Em seguida, atravessei como um raio até a Cidade Alta e fiz o seu registro no cartório. Retornei à maternidade e já encontrei nosso bebê quase sorrindo. Eclodia a vida.
Mão de bebê
Mão de bebê Crédito: Pixabay
Eu era um pai sem a devida experiência, tratava-se da primeira filha. Mas amor nunca faltou, não falta e não a de faltar.
Como podemos aprender com os filhos, mas não aprendemos. Queremos ensinar. Eliana é paulista de nascença e eu amazonense, Paula foi a primeira capixaba da nossa pequena família. Agora o time conta com meu neto Bento Bonates, craque da pelota do colégio.
Então.
Outro dia estava tentando organizar minha coleção histórica de fotos. Como diz a canção, uma lágrima rolou.
Imagens que mostram cenas de Paula com seu avô Vicentini, por parte de mãe, com os meus pais, Aderson e Mariucha, e a parentada toda.
Eu usufruo até hoje desses momentos registrados que me fazem reviver e ampliar meu amor e o meu afeto.
Recordar é viver, como diz a marchinha de carnaval gravada por Dóris Monteiro. Aliás, não existe passado, presente e futuro. O que existe é o entrelaçar constante desses tempos que são sempre indefinidos e causam a mesma intensidade de emoção.
Pronto, além do mais sambista até morrer eu sou e onde a minha escola for eu vou.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, está me pedindo certidão de nascimento.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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