Estamos sim, tolerantes leitores, vivendo em uma era essencialmente trágica. A ficção “futurológica” elimina o pensar, a lógica e o afeto cuja inteligência criou um mundo comum para todos. Mas, como diz Balzac, igualdade não existe.
Um bom exemplo é a inteligência artificial, que obviamente não existe sem a natural. Onde não há criatividade, o poder vai ficando cada vez mais concentrado.
A senhora já prestou atenção, tia Cecy, como faz para proteger a rainha de um ataque de peão, na sua exímia especialidade, a arte do xadrez?
Então.
Na situação previsível pelos sábios, o futuro é baseado no passado, já que o presente não existe (é uma passagem jamais vivida por ninguém e, portanto, não existe).
O mundo é feito de repetição e propaganda, além de leis que a anulam, todas fictícias, elaboradas por pessoas eleitas ou privilegiadas, pessoas igualmente fictícias.
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Ninguém fala com Deus, todos dirigem-se a ele na terceira pessoa. E se Deus falar com alguém, este alguém vai direto para o hospício.
À comédia, então.
Agorinha mesmo, o presidente foi dar conselhos ao Emmanuel Macron, da França, até agora, não entendi bem sobre o quê. Voltou sorridente e onipotente. Os presidentes não mudam muito, um em relação ao outro. Muito menos os ministros e os altos e invisíveis manipuladores do poder. Mas cuidam de si mesmos e suas cumplicidades.
Os altos cargos - alguns nem exigem concurso público - ganham uma fortuna e dedicam-se a postergar a entrega dos direitos e benefícios da grande maioria da população, vide o caso do INSS, cujo jogo é praticamente executado no meio da rua e não acontece rigorosamente nada, só propaganda.
Já enchi o saco de vocês com esse assunto, mas…
Os donos dos poderes ignoram o já escasso direito dos brasileiros e seus salários vis. Médicos por exemplo. Cada consulta é uma exposição ao contágio. A maioria precisa continuar trabalhando e atendendo com competência para sobreviver.
Enquanto isso.
O número de concessões para abertura de faculdades de medicina triplicou nos últimos anos, oferecendo uma formação insuficiente a milhares de formandos sem qualificação para proteger a vida humana.
Agora, sem desfazer o absurdo, alinhavam uma lei de emergência para consertar o mal tardiamente.
Espero, querido leitor, que a sua inteligência continue natural para entender a intenção da metáfora dos meus versos.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, só para contrariar, declarou-se a favor do voto obrigatório.