A começar pelos bares da Praia do Canto e Praia Comprida, um pertinho do outro bem rentes ao mar, com os mesmos frequentadores jogando conversa fora, vem à mente Ronald Rubim e Charles Bitran, além de duas dezenas, todos iguais. Além dos moradores, havia os bondes e as linhas de micro-ônibus do Marinho Delmaestro, vereador e pai do Délio, esse de tanto ralar nas peladas da região acabou médico dermatologista.
Trata-se de pecado falar de Vitória antiga sem passar por Jucutuquara, com a Escola Técnica, a Delegacia de Cabo Roque, que dava conselhos aos maus educados, o Estádio do Rio Branco e o escurinho do Cine Trianon.
Seguindo em direção ao Centro, damos de cara com a Fábrica de Tecidos, o Colégio Salesiano e o Colégio Estadual.
A Avenida Jerônimo Monteiro, indo de quem vai pela Praça Costa Pereira e Vila Rubim, continha os cineminhas Vitória, Glória e Juparanã, onde era vendido em copos gelados o melhor caldo de cana do mundo.
E havia por ali também um certo Hidrolytol, bebida não alcoólica, diferentona, que todos tomavam e até hoje ninguém sabe o que era. Marcava-se encontro na Praça Oito orientado pelo relógio.
Na Cidade, havia outra turma e referências, o Bar Dominó, o Parque Moscoso e os cinemas Santa Cecília, bem na esquina, e o São Luiz. A Estação Rodoviária constava de uma calçada implantada bem em frente ao Colégio Americano. Dali, partiam os ônibus de passageiros para outros municípios e estados.
Bem no alto, subindo a ladeira Caramuru, as missas diárias na Catedral Metropolitana, benzendo a Assembleia Legislativa e o Palácio Domingos Martins, sede do governo.
O Clube Vitória e o Álvares Cabral, os mimos da cidade, tinham matinês dominicais. Mas os chiques eram o Iate, o Praia e o Saldanha da Gama.
A atração mais querida e bem decorada – principalmente pelos frequentadores – ficava na beira mar em frente ao Saldanha, a Boate Butéko, obra do gênio de Ronaldo Nascimento, uma unanimidade.
Carnaval de rua só lá no alto da Rua Sete, de quem sobe ao terreiro dos compositores de onde viria brotar a Escola de Samba Piedade, até hoje casa do samba, de Edson Papo Furado.
Indo para a Vila Rubim, tem o Mercado. Era, como é, repleto de cheiros e arte para todos os gostos e necessidades. Até hoje é uma delícia. Até fogo já pegou, mas não queimou.
Parece que a Ilha vai voltar aos píncaros da glória com a volta do aquaviário e as melhorias estruturais das belas pontes. Benza a Deus e Nossa Senhora da Penha.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, diz que tem muito mais coisas para contar.